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Economia

Empresários brasileiros celebram aprovação de acordo Mercosul-UE

Após 25 anos de negociações, o aval do bloco europeu impulsiona exportações e investimentos para o Brasil.

Redação Jornal de Brasília

09/01/2026 18h38

cni

Foto: CNI/Divulgação

Entidades empresariais brasileiras comemoraram a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, conquistada nesta sexta-feira (9) após 25 anos de negociações. O texto recebeu o aval de 15 dos 27 Estados-membros da UE, representando pelo menos 65% da população do bloco.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou o acordo como um passo significativo para a inserção internacional do Brasil e o fortalecimento da indústria nacional. Em 2024, a UE foi destino de 14,3% das exportações brasileiras, gerando 21,8 mil empregos por cada R$ 1 bilhão exportado, além de movimentar R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que a aprovação cria condições para a assinatura rápida, transformando o avanço em oportunidades concretas de comércio, investimentos e competitividade. A entidade também vê potencial para intensificar relações com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, em setores como indústria, tecnologia e consumo.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) classificou o acordo como um marco estratégico, ampliando o acesso a um grande mercado consumidor, estimulando investimentos, inovação e sustentabilidade alinhada aos princípios ESG. O presidente-executivo, André Passos Cordeiro, afirmou que o tratado reposiciona a indústria química em cadeias globais de maior valor, criando um ambiente previsível para áreas como bioeconomia, química renovável e energia limpa.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o acordo representa a maior zona de livre comércio do mundo, especialmente em meio a turbulências geopolíticas. Projeções indicam aumento de 25% a 30% nas exportações do setor para a UE no médio prazo, além de diversificação de fornecedores de insumos.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) expressou entusiasmo, apesar de considerar o texto não perfeito, resultado de conciliação entre 31 países. A entidade participou ativamente das negociações, visando valor real para a indústria. O presidente Paulo Skaf alertou que o foco agora é inovar e melhorar a produtividade para competir com europeus, garantindo isonomia competitiva.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) celebrou o potencial de aumento no comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial, diversificando parcerias em um cenário de tensões globais.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avaliou o acordo positivamente, mas com cautela quanto aos impactos. O estado registrou superávit comercial de US$ 17,62 bilhões com a UE entre 2021 e 2025. Benefícios são esperados para setores como café, mineração, siderurgia, celulose e automotivo, embora exija atenção a segmentos sensíveis e exigências regulatórias.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, viu na aprovação um avanço importante, reforçado pelo tarifaço americano, que destaca a necessidade de acordos bilaterais. Ele defendeu salvaguardas para proteger produtores locais, criticando importações desenfreadas de leite em pó e cobrando parceria do governo com o setor produtivo.

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