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Economia

El Niño mais forte requer operação especial para setor elétrico, afirma ONS

Estratégia do ONS busca preservar energia nos reservatórios diante da previsão de chuvas abaixo da média na região Norte

Redação Jornal de Brasília

17/06/2026 15h04

setor eletrico no brasil (1)

Foto: Reprodução

NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS


O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) vai começar a poupar água nos reservatórios de Itaipu e de hidrelétricas da região Sul para garantir uma travessia mais tranquila pelo fenômeno El Niño, que deve ter forte intensidade este ano.

A estratégia é garantir uma poupança de energia armazenada que compense esperada redução das chuvas na região Norte, onde estão reservatório importantes para garantir o abastecimento no horário de pico do consumo, no início da noite.

O diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, diz que ainda é difícil prever os efeitos do El Niño. A grande preocupação para o operador é a seca na região Norte, onde estão as usinas estruturantes Belo Monte, no Pará, e Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.

“Elas têm uma contribuição importante para atendimento de ponta”, disse Zucarato, em entrevista após participar de painel no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico. Elas entram no sistema quando a energia solar deixa de gerar, mantendo o equilíbrio da rede.

Essa função é feita também pelas térmicas, que são mais caras e aumentam a conta de luz. Ainda assim, a capacidade de atendimento desse período é limitada, o que motivou o governo a realizar o conturbado leilão para contratar mais térmicas, alvo de questionamentos judiciais.

Zucarato diz que as hidrelétricas do Sul podem ajudar a cumprir esse papel, já que a região está no período de chuvas. A ideia é tentar segurar essa água nos reservatórios para gerar energia no horário de pico no segundo semestre, quando os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estarão mais baixos.

Consideradas a caixa d’água do setor elétrico brasileiro, Sudeste e Centro-Oeste têm cerca de dois terços da capacidade de armazenamento de energia do país, mas geralmente essa reserva começa a cair no segundo semestre, para se recuperar apenas com as chuvas de verão.

As duas regiões também podem sofrer com um El Niño de forte intensidade, que aceleraria a perda de água nos reservatórios. Por isso, a ideia é que Itaipu e a região Sul consigam gerar mais energia nesse período.

O ONS pretende atuar também para preservar os reservatórios dos rios Grande e Paranaíba, que formam o rio Paraná, onde está Itaipu. Esses dois rios concentram dois terços da capacidade de armazenamento de energia da caixa d’água brasileira.

“O objetivo é manter esses ativos o mais cheio possível até o início da transição do período chuvoso. É segurar esses ativos até meados de setembro para ter uma reserva de potência em caso de atraso das chuvas”, explicou Zucarato.

O diretor do ONS alertou também que deve ser mais frequente a necessidade de cortes de energia de pequenas geradoras para evitar colapso no sistema por excesso de energia, como ocorreu no primeiro domingo do mês.

Naquele dia, o operador acionou esquema emergencial aprovado no fim de 2025, determinando a distribuidoras de energia que cortassem geração de pequenas centrais hidrelétricas e térmicas a biomassa – já que os cortes em grandes usinas não foram suficientes.

Segundo ele, o ONS trabalha na elaboração de um protocolo de corte, que pode atingir fazendas solares, construídas como condomínios de consumidores mas longe das residências beneficiadas caso e os cortes de pequenas centrais hidrelétricas e pequenas térmicas não sejam suficientes.

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