Economia

Economistas do Itaú passam a ver alta juros de 2% para 5% já em 2021

Assim, haveria pelo menos dois impulsos para a desvalorização do real, o que teria impacto na inflação

Vinicius Torres Freire

São Paulo, SP

Os economistas do Banco Itaú preveem agora alta forte de juros em 2021. Estimam que o Banco Central deve aumentar a Selic dos atuais 2% para 5% ao ano já no final deste 2021 (antes, esperavam tal mudança para o final de 2022). A taxa básica do BC começaria a aumentar em 0,5 ponto percentual a partir de março, estimam.

Motivos? “Inflação ainda bastante pressionada no curto prazo, especialmente em razão do aumento de preços de commodities”, aumento de despesas além do teto de gastos, com quase certa aprovação do novo auxílio emergencial, e o risco de antecipação do aperto monetário nos Estados Unidos. Isto é, o Fed, o Banco Central deles, deve retirar estímulos devido à retomada da economia americana, impulsionada de resto por mais gastos do governo.

Assim, haveria pelo menos dois impulsos para a desvalorização do real, o que teria impacto na inflação. No caso de não haver alguma contrapartida, ao menos futura, de contenção de despesas do governo federal, o aperto das condições financeiras seria ainda maior, com impacto no crescimento econômico maior já em 2021, mas especialmente em 2022.

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Nas contas dos economistas, apenas em 2023 faria seria ativado o “gatilho” de contenção de gastos com servidores e outras despesas obrigatórios previsto na proposta de emenda constitucional que o governo patrocina no Congresso (a que prevê o novo auxílio, estado de calamidade nacional e medidas de ajuste fiscal).

O pessoal do Itaú espera que o novo auxílio alcance 40 milhões de pessoas, com um benefício de R$ 300, pago em quatro parcelas. O custo total, portanto, seria de R$ 48 bilhões. Descontado o dinheiro que seria gasto com Bolsa Família (essas pessoas passariam a receber o auxílio), trata-se de uma despesa nova de mais de R$ 36 bilhões (estas contas não são do Itaú).

O banco estima assim que o déficit primário (receitas menos despesas do governo federal, afora gastos com juros) seria de R$ 215 bilhões (2,5% do PIB), ante estimativa anterior de R$ 175 bilhões (2,1% do PIB).

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“A extensão do auxílio emergencial prejudica a já frágil sustentabilidade fiscal brasileira, elevando o prêmio de risco local. O principal risco negativo é que haja uma flexibilização do regime fiscal por meio de prolongamento do auxílio emergencial sem contrapartidas”, escreve o pessoal do departamento de pesquisa macroeconômica do banco.​

As informações são da Folhapress

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