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Economia

Economia mundial deve crescer 3,4% em 2008, mas há risco de estagnação

Arquivo Geral

09/01/2008 0h00

A ONU anunciou hoje uma previsão de crescimento da economia mundial de 3, pharm 4% para 2008, order mas alertou para o “claro risco” de uma estagnação, que pode reduzir esse crescimento para menos da metade da taxa calculada.


De acordo com os economistas da Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), nesse cenário pessimista – baseado em um agravamento da crise imobiliária nos Estados Unidos e em uma acelerada queda do dólar – o crescimento econômico global seria de apenas 1,6%.


Ao apresentar o relatório da Unctad sobre as perspectivas econômicas mundiais para este ano, o diretor da Divisão sobre Globalização e Estratégias de Desenvolvimento da entidade, Heiner Flassbeck, disse que saber se os riscos enfrentados pela economia mundial se materializarão “é uma questão de meses, não de anos”.


O especialista indicou que o impacto da crise dos créditos hipotecários de alto risco (subprime) nos EUA ainda não pode ser avaliado por completo.


Os especialistas da ONU estimam que uma queda de 15% nos preços do setor imobiliário afetaria a demanda e representaria 2% a menos de crescimento para os EUA, o que levaria o país a uma virtual estagnação em 2008.


O perigo concreto é de que a dimensão adquirida por essa crise provoque uma recessão da maior economia mundial, o que afetaria o comércio global e seria um “duro golpe” para muitos países pobres, pois colocaria um fim no “boom” dos preços das matérias-primas que beneficiou essas nações nos últimos anos.


Outra ameaça mencionada por Flassbeck é “uma dramática queda do dólar” que, para alguns analistas, pode chegar a 20%.


Desde 2002, o dólar perdeu até 35% frente a outras unidades monetárias de referência, sendo um quarto dessa baixa ocorrida apenas entre janeiro e novembro do ano passado.


Desta forma, uma maior queda da moeda americana levaria irremediavelmente a uma diminuição da demanda de produtos do resto do mundo. O risco se multiplica para os países em desenvolvimento que têm a maior parte de suas reservas internacionais em dólares.


Sobre as políticas necessárias na Europa para evitar o pior dos cenários, Flassbeck sustentou que são necessários “estímulos monetários e tributários” para acelerar a demanda interna e evitar um arrefecimento.


O funcionário da Unctad comparou a situação dos EUA a de um iceberg do qual ainda não se sabe se seu tamanho real já é conhecido ou se apenas uma parte apareceu.


Flessbeck sustentou que “há outros pequenos icebergs” na Europa, mencionando as tensões nos mercados imobiliários do Reino Unido e da Espanha.


Acrescentou que, no caso da Europa, a principal incerteza é quanto à atitude que o Banco Central Europeu (BCE) tomará visando “as lutas internas sobre a baixa ou alta das taxas de juros”.


“Isso faz com que, por enquanto, o BCE não faça nada, mas isso provavelmente não será suficiente nos próximos meses”, afirmou.


O relatório da Unctad critica ainda o papel dos bancos centrais nessa crise, pois “embora tenham adotado várias medidas para atenuar a pressão financeira”, não atuaram sobre as raízes do problema.


Este estaria relacionado, segundo o documento, aos “graves desequilíbrios entre os países com grande superávit financeiro – China, Japão e grandes produtores de petróleo – e aqueles com enorme déficit, principalmente os EUA”.

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