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Economia

Durigan defende revisão de cálculo da inflação e manutenção da meta de 3%

O ministro ainda disse ver com bons olhos o debate sobre aprimoramentos no boletim Focus do Banco Central para que a pesquisa ganhe mais transparência.

Redação Jornal de Brasília

15/06/2026 23h27

dario durigan no bom dia, ministro.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, mostrou-se favorável a uma discussão sobre possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na composição dos índices de preços.


Em entrevista ao podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo vigente no país dá peso para componentes que perderam relevância, enquanto há uma representação menor de itens que ganharam importância nos últimos anos.


“O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas”, afirmou.

A entrevista foi gravada na sexta-feira (12) e divulgada nesta segunda-feira (15).


O ministro ainda disse ver com bons olhos o debate sobre aprimoramentos no boletim Focus do Banco Central para que a pesquisa ganhe mais transparência.

Na entrevista, ele afirmou que não mexeria na meta de inflação, hoje em 3%, apesar de avaliar que o mecanismo de alvo contínuo adotado pelo atual governo ainda não foi digerido pela sociedade e por estudiosos.


Em maio, a inflação oficial do Brasil desacelerou a 0,58%, após marcar 0,67% em abril, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados na sexta (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Mesmo com a trégua em relação ao mês anterior, a taxa de 0,58% é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). Houve pressão da carestia de parte dos alimentos e da energia elétrica.


Com os novos dados, o IPCA acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, depois de marcar 4,39% até abril. Assim, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.


Em maio, o vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a defender que o Brasil deve olhar para o modelo do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, na hora de determinar qual medida de inflação perseguir.


“O problema que nós temos é essa taxa de juros absurdamente alta. Nós deveríamos verificar o modelo do Federal Reserve, que exclui energia e alimentação da análise da inflação para definição da taxa de juros”, afirmou.


Alckmin fez referência às medidas de inflação utilizadas pelo Fed para sua meta de preços. Entre essas medidas, o banco central dos EUA monitora com atenção o núcleo do PCE (Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal), que exclui do cálculo itens mais voláteis, como alimentos e energia.


JUROS E FISCAL


Ao abordar o nível elevado dos juros no país, Durigan apontou a volatilidade cambial e o baixo nível de poupança no país como fatores que impactam negativamente a política monetária. O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa de juros.


“A questão da poupança é um elemento importante, a volatilidade no mercado de câmbio brasileiro é outro mecanismo que a gente ouve muito, ainda que não se diga muito isso, tem um prêmio de risco que o Brasil tem que pagar para garantir alguma estabilidade”, disse.


O ministro reconheceu também que a política fiscal tem impacto na política monetária, argumentando ser importante conter o avanço em despesas obrigatórias para abrir espaço para investimentos.


Ele voltou a afirmar que o governo insistirá nas negociações para que o Congresso Nacional não aprove pautas-bomba, de elevado impacto fiscal, que poderiam impactar inflação, carga tributária e nível dos juros.


Caso as medidas sejam aprovadas, segundo o ministro, o governo caminhará para fazer vetos e poderá acionar o STF (Supremo Tribunal Federal).


A equipe econômica do governo estimou na semana passada que proposições em tramitação no Congresso somam impacto fiscal estimado em R$ 111 bilhões por ano, incluindo medidas como uma ampla renegociação de dívidas rurais, elevação do teto do Simples Nacional e aumento de pisos salariais de categorias profissionais.

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