LUCAS MARCHESINI
FOLHAPRESS
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, detém participação de R$ 30 milhões na Liga Forte União, entidade que negocia os direitos de transmissão de jogos de futebol de 35 times brasileiros, sendo 13 da primeira divisão. Entre eles estão Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro.
A participação do ex-banqueiro no negócio se dá por meio de uma debênture conversível em ações detida pelo fundo Astralo 95. Esse tipo de papel oferece uma remuneração fixa mais um adicional a depender do desempenho da empresa que recebeu o aporte. Depois de um prazo, o dono da debênture pode converter o valor em ações da empresa.
O Astralo 95 faz parte da rede de fundos suspeitos de integrarem o esquema de fraude de Vorcaro, conforme revelou a Folha de S. Paulo.
Apesar de ser um negócio legítimo e não estar relacionado à investigação da Polícia Federal e do Banco Central, seus valores estarão entre os bens que serão liquidados para o pagamento dos credores do Master.
Procurados, nem a Liga Forte União e nem Vorcaro comentaram.
Os direitos de transmissão são da Sports Media, uma empresa que formou um condomínio com os clubes participantes da liga.
Para se capitalizar, a empresa captou dinheiro por meio de três fundos. Dois deles têm sociedade na Sports Media e seus acionistas são conhecidos pela direção da liga e da Sports Media.
O terceiro é o fundo que levantou recursos no mercado a partir da emissão de debêntures, vendidas por parceiros comerciais. Foi por meio da compra de um desses papéis que Vorcaro entrou no negócio. Ao todo, são cerca de 8.000 cotistas.
A Sports Medida investiu R$ 2,2 bilhões na operação, que busca replicar a liga de clubes da Primeira Divisão Inglesa, a Premier League.
Esse não é o único negócio de Vorcaro no futebol. Ele detém uma participação de cerca de 20% no Atlético-MG, time do qual é torcedor, a partir do fundo Galo Forte, cujo cotista é o Astralo 95. Ao todo, Vorcaro investiu cerca de R$ 300 milhões no negócio.
Com isso, obteve uma cadeira no conselho do clube, do qual foi afastado em novembro após ser preso em uma operação da PF (Polícia Federal).
Vorcaro é alvo de investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Deflagrada pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, ela apura um esquema bilionário de fraudes financeiras que teria usado estruturas do mercado de capitais para desviar recursos do Banco Master e mascarar prejuízos.
Na primeira fase, ocorrida em novembro, o alvo foi a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas ao BRB (Banco de Brasília).
Na segunda fase, deflagrada na última quarta-feira (14), a PF mirou o uso de fundos de investimentos para a compra de “ativos podres”, como certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).
Esses ativos inflavam artificialmente o patrimônio dos fundos, que eram usados para desviar dinheiro do Master, segundo os investigadores. A ciranda financeira permitia ainda retroalimentar o patrimônio do banco, possibilitando a instituição seguir vendendo CDBs no mercado.
A ideia original era deflagrar as duas operações ao mesmo tempo, mas a demora na Justiça impediu isso de acontecer, como revelou a Folha de S. Paulo.
O pedido da primeira fase foi feito a um juiz de Brasília com base em denúncia apresentada ao MPF (Ministério Público Federal) pelo BC sobre a venda de carteiras falsas de crédito ao BRB (Banco do Distrito Federal).
Já o pedido para a operação de busca e apreensão de provas com pessoas envolvidas nas fraudes dos fundos de investimento foi feito para a Justiça Federal de São Paulo. A solicitação foi feita em outubro do ano passado.