MARIA CLARA MATOS
FOLHAPRESS
A operação brasileira das cafeterias Havanna integra um grupo de empresas que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em 2025 para renegociar R$ 127,7 milhões em dívidas.
Além da Havanna, que opera sob o nome empresarial Café Del Plata, participam a Aeger, DGA Doces, Fly Shopping, Delfos Perfumes e Casma. Todas são controladas pelo empresário Marcos Rothenberg.
A informação foi revelada pela revista Exame e confirmada pela Folha. Em nota divulgada à imprensa, a Havanna afirma que o processo foi iniciado por conta de obrigações contratadas por outras empresas do grupo, sem relação com questões operacionais ou financeiras da rede de cafeterias.
“Este processo de recuperação tem como objetivo justamente garantir que obrigações solidárias das empresas não afetem a capacidade operacional, os compromissos da Havanna com seus fornecedores, franqueados e parceiros”, disse a empresa.
Segundo a Havanna, os negócios seguem em “franca expansão”, com a abertura de mais de 30 novas operações no primeiro semestre de 2026.
“A empresa segue comprometida com seu plano de chegar a mais de 700 pontos de venda entre seus diversos modelos de operação até o ano de 2030 no Brasil”, acrescenta.
O processo está na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo. Conforme os documentos, o plano de reestruturação já conta com a adesão de credores que representam mais de 50% da dívida abrangida.
Ao receber o pedido, o juiz Ralpho Waldo determinou a suspensão de todas as ações e execuções contra as empresas envolvidas no caso por 180 dias, para que as operações continuem durante o período de reestruturação.
Diferente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas negociem diretamente suas dívidas com grupos determinados de credores, sem a intermediação da Justiça. Depende, no entanto, de homologação judicial. Assim como na recuperação judicial, a ideia é que as empresas evitem a falência.
A Associação de Ex-franqueados e Franqueados Havanna tentou intervir coletivamente na ação, solicitando medidas como a suspensão da comercialização de novas franquias e o redirecionamento de fluxos financeiros.
A Justiça negou os pedidos, com a justificativa de que tais medidas representariam uma intervenção excessiva na gestão das empresas, e os contratos de franquia, por terem natureza individual e possuírem cláusulas de arbitragem, devem ter suas controvérsias resolvidas fora do âmbito deste processo de recuperação extrajudicial.
Além dos franqueados, o plano foi alvo de contestação por parte de grandes instituições financeiras. Bancos como Banco do Brasil, Santander, Daycoval, Sofisa e Omni apresentaram impugnações formais, questionando desde os valores das dívidas arroladas até o preenchimento do quórum legal necessário para a validade do acordo.
No Brasil desde 2006, a Havanna passou a adotar o modelo de franquias pelo país desde 2014, com mais de 200 lojas espalhadas.
Entre quiosques, cafeterias e as chamadas “heladerias” (espanhol para sorveterias), a companhia argentina vende alfajores, doce de leite, sorvetes e, recentemente, produtos proteicos.
Dona da Havanna no Brasil integra grupo em recuperação extrajudicial de R$ 127 milhões
No Brasil desde 2006, empresa passou a adotar o modelo de franquias pelo país desde 2014, com mais de 200 lojas espalhadas
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