JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar fechou em alta de 1,12% nesta sexta-feira (30), cotado a R$ 5,447, na maior cotação desde 30 de dezembro de 2025, quando encerrou o pregão a R$ 5,4879. A moeda avançou em um dia marcado pela formação da taxa Ptax de fim de mês e pela divulgação de dados do mercado de trabalho brasileiro.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,74%, aos 167.921 pontos, no menor patamar desde 19 de agosto. Foi a quinta sessão consecutiva de queda, em uma semana marcada pela continuidade dos ajustes dos investidores após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As incertezas sobre a condução da política econômica e a trajetória da dívida pública continuam pressionando os ativos brasileiros.
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, diz que a queda acumulada da Bolsa desde o recorde de 209 mil pontos representa uma desvalorização próxima de 20%. Para ele, o movimento reflete a desmontagem de uma aposta que havia ganhado força entre os investidores antes do segundo turno: a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente nas urnas.
Entre o primeiro e o segundo turno das eleições, a Bolsa subiu quase 7%, impulsionada principalmente por ações de empresas dos setores de varejo, construção, consumo e educação
“Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez. Aí o recado é que o investidor voltou a cobrar um prêmio de risco maior para o Brasil, principalmente pelo lado fiscal. Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificultando cortes mais agressivos da Selic”, diz.
Gass também destaca a saída de investidores estrangeiros, que contribui para a pressão sobre as ações. Apenas na quarta-feira, o saldo de investimentos estrangeiros na Bolsa registrou saída de R$ 2,8 bilhões.
“Então, não é pânico isolado, e sim uma reprecificação do risco-país”, afirma.
A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, lembra que, já na segunda-feira, primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa sofreu uma queda superior a 13%, acionando o mecanismo de interrupção das negociações conhecido como circuit breaker.
Além das incertezas domésticas, o ambiente externo também contribuiu para a cautela. O mercado acompanhou a decisão do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, de manter os juros, em meio à preocupação com os próximos passos da política monetária americana e seus efeitos sobre os ativos de risco.
Para as próximas semanas, Nossig espera que a Bolsa brasileira continue sensível