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Economia

Dólar sobe mais de 1% e ultrapassa R$ 5 com cenário eleitoral e piora externa; Bolsa cai

Mercado reage a denúncias ligando o senador a Daniel Vorcaro e acompanha encontro sem avanços entre Donald Trump e Xi Jinping, além da escalada no Oriente Médio

Redação Jornal de Brasília

15/05/2026 12h57

Foto: AFP

Foto: AFP

FOLHAPRESS

O dólar dispara mais de 1% nesta sexta-feira (15), voltando a ficar acima de R$ 5, com os investidores atentos aos desdobramentos políticos da ligação entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

No cenário internacional, analistas acompanham o término dos encontros entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, que acabou sem grandes anúncios.

Às 11h, a moeda norte-americana subia 1,53%, cotada a R$ 5,064 -na máxima, o dólar chegou a R$ 5,076, alta de 1,77%. No mesmo horário, a Bolsa recuava 1,22%, a 176.173 pontos, com grande parte das ações no território negativo.

No mercado doméstico, as atenções continuam voltadas para o cenário eleitoral. A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro voltou a pressionar o real e a Bolsa de Valores brasileira.

O site Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões por parte do ex-banqueiro. A Folha de S.Paulo e o próprio Flávio confirmaram as mensagens -o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos – onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.

As revelações provocaram a maior alta do dólar desde 5 de dezembro, data em que a moeda disparou 2,33% após o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato de Jair Bolsonaro, surpreendendo o mercado financeiro, que até então preferia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A volatilidade acompanha o temor de que a noticía sobre o caso dificulte a candidatura presidencial do senador carioca. “A crise envolvendo o senador pré-candidato à Presidência enfraquece a tese de alternância em 2027 que vinha sustentando ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que o governo acelera medidas populares com custo fiscal potencial”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

Para Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, há uma inversão na imagem do Brasil como um país de menor risco para o investidor. “O investidor -principalmente o estrangeiro- vinha precificando um Brasil com menos risco, eventualmente com uma troca de poder político que pudesse trazer um equilíbrio fiscal melhor do que o atual. Diante desse escândalo, essa narrativa acaba perdendo força”.

Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado ao controle de gastos do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.

Por outro lado, o governo Lula anunciou 11 medidas que somam R$ 144 bilhões em gastos. As ações são definidas como pacotes de bondades para fortalecer a candidatura do presidente neste ano.

O exterior também pesa contra os ativos domésticos. O encontro entre o líder do regime chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim, terminou sem grandes anúncios.

A expectativa era de que o encontro gerasse avanços nas negociações do conflito no Oriente Médio.

Nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China emitiu um comunicado pedindo por um cessar-fogo “abrangente e duradouro” o mais rápido possível na guerra, além de afirmar que o conflito “jamais deveria ter acontecido” e “não tem razão para continuar”.

Em entrevista na quinta, Trump afirmou que Xi ofereceu ajuda para abrir o estreito de Hormuz e prometeu não enviar equipamentos militares para auxiliar o Irã no conflito.

Nesta sexta-feira, a falta de avanços pressiona os preços do petróleo. O contrato de julho do barril Brent, referência internacional, avança 2,18%, a US$ 108. Na máxima do dia, o preço da commodity chegou a US$ 109,64 (+3,71%), no maior valor alcançado nos últimos dez dias.

O conflito também gera uma maior busca por ativos de segurança em meio às incertezas. Nos EUA, Wall Street recua, com os índices S&P 500 e Dow Jones em quedas acima de 0,90%. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a seis outras divisas fortes, avança, com alta de 0,37%.

A guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo. Além do efeito sobre os combustíveis, há temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos principais insumos da cadeia produtiva.

Nos EUA, por exemplo, o conflito tem pressionado indicadores de inflação, como o CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) e o PPI (índice de preços ao produtor, na sigla em inglês). Nesta semana, os dois indicadores, referentes a abril, vieram acima do esperado pelos analistas.

Os resultados elevaram as projeções de juros mais altos no país, com a maioria do mercado estimando que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) manterá a taxa no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao longo de todo o ano. Uma postura mais cautelosa do Fed fortalece ativos norte-americanos, como o dólar e os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), pressionando moedas de mercados emergentes, como o real.

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