FOLHAPRESS
O dólar sobe forte nesta quarta-feira (23), com investidores mais cautelosos diante da falta de acordos envolvendo a guerra no Irã e dos preços do petróleo próximos dos US$ 100.
Pesquisa Atlas/Bloomberg, que aponta empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com o presidente numericamente à frente, também pesa sobre o desempenho de ativos domésticos.
Por volta das 15h15, a moeda americana avançava 1,19%, a R$ 5,163. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, tinha alta de 0,46%.
No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,56%, a 186.370 pontos, após apagar a alta registrada pela manhã. O movimento ocorre apesar do avanço das ações da Petrobras. Os papéis da estatal subiam mais de 2%, acompanhando a alta do petróleo.
No exterior, o petróleo Brent, referência mundial de preços da commodity, sobe mais de 3%, retomando o patamar de US$ 100, com o avanço tímido das negociações entre Washington e Teerã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner conversaram por meio de mediadores à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Foi o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde o fracasso de um acordo provisório de cessar-fogo em julho.
Também há a possibilidade de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. Ao comentar a possibilidade de um entendimento com Teerã durante a abertura da Assembleia, Trump afirmou acreditar que os dois países chegarão a um acordo após as eleições de meio de mandato nos EUA.
Enquanto isso, o tráfego pelo estreito de Hormuz segue paralisado. Na segunda-feira, os EUA anunciaram que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas nesta quarta-feira (23).
Teerã prometeu retaliar caso países vizinhos cooperem com os Estados Unidos e suspendam os voos iranianos.
A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.
Por outro lado, o avanço dos preços da commodity melhora as perspectivas de receita, geração de caixa e rentabilidade das empresas produtoras, além de favorecer o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras.
A Petrobras se beneficia da alta do petróleo, mas também de uma elevação da recomendação de compra e do preço-alvo para R$ 62 pelo banco UBS BB. Em relatório, a instituição afirma que a companhia tem elevada exposição ao petróleo e é favorecida por ser exportadora líquida, sem grandes impactos operacionais decorrentes do conflito no Oriente Médio.
Lá fora, a rentabilidade dos Treasuries de 10 anos avançam ao maior patamar desde 2007, chegando a 5,132% na máxima, no mair nível desde junho de 2007. Além do preço do petróleo, o preço do título avança em função do Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que avançou a 58,4 em setembro (ante expectativa de baixa para 55,3 dos analistas consultados pela Bloomberg).
“Havia expectativa de desaceleração tanto na indústria quanto nos serviços, após números já fortes nos meses anteriores. No entanto, o resultado mostrou justamente o contrário: a atividade não apenas continuou em expansão, como acelerou em relação às leituras recentes […] Uma atividade mais resiliente aumenta a preocupação com pressões inflacionárias e, consequentemente, reduz o espaço para uma queda mais rápida dos juros”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
No cenário doméstico, Lula e Flávio Bolsonaro seguem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial, mas o petista passou a ter uma pequena vantagem numérica, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira.
Lula registra 47,7% das intenções de voto, ante 47,4% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado em 17 de setembro, os percentuais eram de 46,8% e 47,2%, respectivamente.
A leitura entre analistas do mercado financeiro é de que o senador tem um perfil mais alinhado à disciplina nas contas públicas do que o atual presidente, o que é visto como positivo para os ativos domésticos.
“A pesquisa no primeiro momento causa um impacto, com o mercado precificando a continuidade do governo e, principalmente, os riscos fiscais de uma continuidade da política atual. Mas, passado o susto inicial, se depara com um quadro bastante difícil de prever, com expectativa de vitória de um lado ou de outro”, diz Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirma que a pesquisa ainda mostra a força da candidatura de Flávio Bolsonaro. “As pesquisas continuam apontando uma tendência de competitividade de Flávio para o primeiro e segundo turno. Isso corrobora para a tendência de alta do Ibovespa”, diz.
Dólar sobe mais de 1% com alta do petróleo e cenário eleitoral no radar; Bolsa recua
Por volta das 13h30, a moeda americana avançava 0,98%, a R$ 5,154
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