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Economia

Dólar sobe e volta a superar R$ 5,00 com cenário eleitoral no radar

Após rondar os R$ 5,01 ao longo da tarde, fechou a R$ 5,0204, em alta de 0,71%

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 18h30

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

São Paulo, 13 – Após recuar mais de 4% na semana passada, sob o impacto da dianteira de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da corrida presidencial, o dólar subiu frente ao real nesta terça-feira, 13, e voltou a fechar acima da linha de R$ 5,00. Operadores afirmam que houve um movimento de realização de lucros desencadeado pela safra mais recente de pesquisas eleitorais, que mostram uma disputa mais acirrada, além de menor apetite ao risco no exterior, com perdas de parte das divisas emergentes pares do real.

As manifestações favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de semana e a perspectiva de votação no Senado, nos próximos dias, do projeto que põe fim à escala 6×1, bandeira de campanha do petista, levam investidores a calibrar prêmios de risco embutidos no câmbio, à espera de sondagens eleitorais de mais peso. Amanhã, 14, é divulgado o levantamento da Quaest. Na quinta-feira, 15, é a vez da pesquisa do Datafolha.

Em alta desde a abertura, o dólar à vista furou o teto de R$ 5,00 no início dos negócios e alcançou máxima de R$ 5,0292 ainda pela manhã. Após rondar os R$ 5,01 ao longo da tarde, fechou a R$ 5,0204, em alta de 0,71%. Entre divisas latino-americanas, o peso mexicano e o peso chileno exibiram perdas entre 0,50% e 0,70%. A moeda americana recua 2,99% frente ao real em outubro, após queda de 0,10% em setembro.

“A proximidade do segundo turno das eleições traz certa cautela, ainda mais em um cenário em que as pesquisas mostram que a disputa está bastante apertada”, afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, ressaltando que na segunda, quando o mercado local esteve fechado em razão do feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida, houve aumento da aversão ao risco no exterior com a escalada do conflito no Oriente Médio.

Pesquisa PoderData/Ayaya divulgada nesta terça mostra Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula – um quadro de empate técnico, com queda de quatro pontos porcentuais na distância entre os candidatos em relação à sondagem anterior. Já o levantamento do BTG/Nexus traz o candidato do PL com 48%, três pontos à frente do petista (45%), o que também configura empate técnico.

Para o estrategista global de mercados e de câmbio do banco ING, Chris Turner, uma eventual vitória de Flávio pode desencadear uma nova rodada de valorização dos ativos brasileiros, dada a expectativa de um ajuste fiscal robusto. “Apesar de um ambiente externo desafiador, vemos espaço para a taxa de câmbio testar as mínimas do ano em R$ 4,90 e romper esse nível, recuando para patamares ainda mais baixos no próximo ano”, afirma, em nota, Turner.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,38% por volta das 17h00, aos 102,202 pontos, devolvendo parte da alta de segunda, quando atingiu o maior nível em 18 meses com o aumento das tensões no Oriente Médio. Investidores aguardam a divulgação desta quarta-feira, 14, do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) referente a setembro. Na quinta, 15, sai o índice de preços ao produtor (PPI).

“É uma semana bastante relevante aos olhos do Federal Reserve, com a divulgação de indicadores de inflação que podem mexer com as expectativas em relação aos juros nos EUA. Isso também traz um sentimento maior de cautela”, afirma Quartaroli, do Ouribank

Bolsa

Depois de renovar no fim da última semana a máxima histórica acima dos 209 mil pontos, o Ibovespa encerrou esta terça-feira, 13, em queda de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, em resposta à leitura de que a disputa eleitoral ainda segue acirrada no Brasil. O movimento foi puxado pela maioria dos papéis de maior peso no índice, caso dos bancos e da Vale, enquanto a Petrobras impediu uma baixa ainda mais forte.

Operadores e analistas citam que a volatilidade é crescente no mercado a 12 dias do segundo turno das eleições. Os investidores seguem acompanhando o nível de favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL), após um primeiro turno com números melhores para o candidato do que o apontado nas pesquisas eleitorais até então.

Nesta terça, a pesquisa PoderData/AYA mostrou o senador com 51% das intenções de votos no segundo turno e o presidente Lula (PT) com 49%, um empate técnico. Já pesquisa BTG/Nexus mostra Flávio à frente com 48% das intenções de voto e Lula, com 45%, também tecnicamente empatados.

A expectativa de uma vitória de Flávio anima o mercado pela expectativa de que uma eventual gestão do senador represente uma agenda mais rigorosa com os gastos públicos. No mês até agora, o Ibovespa já acumula alta de 11%, impulsionado por esse cenário; no ano, avança 28,4%.

Os investidores avaliam o nível de exposição que terão até a definição sobre o próximo governo. De um lado, a tendência ainda é positiva para os ativos locais, ao mesmo tempo em que a forte valorização do índice desde o primeiro turno leva o investidor a esperar novos sinais para aumentar a exposição ao risco nesse momento. Com as pesquisas desta terça, a indefinição do cenário reforça a cautela nos negócios.

“O resultado do primeiro turno foi muito favorável para o Flávio, foi precificado e agora os investidores acompanham os novos fatos, com o governo anunciando medidas para tentar reverter o quadro desfavorável”, explica o sócio da One, João Ferreira, citando a proposta do governo de perdoar as dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs) com a União.

“Isso dá o tom do que devemos ver até o fim do mês e, se isso se mexer no ponteiro das pesquisas eleitorais, passará a refletir bastante na precificação de mercado”, afirma. Além da iniciativa para os MEIs, o mercado observa a possível aprovação do fim da escala 6×1, forte bandeira do atual governo.

Depois de apresentarem um desempenho forte na última semana, grandes segmentos da Bolsa tiveram queda firme em bloco nesta terça, caso das small caps, das empresas de varejo e consumo e do setor imobiliário, com a alta dos juros.

“Acredito que existe uma chance maior do Flávio ser eleito, porém tem muitos dias pela frente até o segundo turno. Apesar do sentimento de mercado ser uma Bolsa para alta com possível vitória dele, não está certo ainda”, disse o especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, Marcos Bassani. “Por isso, o investidor precisa ter cautela antes da decisão final, os próximos pregões dessa semana serão definidos pelas pesquisas e realizações de lucros.”

Juros

Os juros futuros negociados na B3 deixaram para trás o rali observado na semana passada e operaram em firme alta, que chegou perto de 30 pontos-base nos trechos mais longos, na volta do feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida. Investidores diminuíram a exposição a risco em suas carteiras após pesquisas eleitorais terem mostrado empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula no segundo turno. O humor dos agentes também foi afetado por manifestações pró-esquerda mais fortes ao longo do feriado e pela sinalização de que a PEC que acaba com a escala 6×1 deve passar no Senado.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu de 12,524%, no ajuste de sexta-feira, para 12,750%. O DI para janeiro de 2029 anotou alta a 12,505%, vindo de 12,221% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 saltou de 12,231% a 12,515%.

Milhares de manifestantes se reuniram neste domingo na Avenida Paulista, em São Paulo, para declarar apoio à reeleição de Lula, que participou do ato. A campanha petista estima que um milhão de pessoas estiveram presentes, mas ainda não há dados de órgãos oficiais. Na segunda-feira, outra mobilização em prol de Lula ocupou cerca de 7 quarteirões na avenida Atlântica, em Copacabana. Também houveram atos em favor do petista em outras cidades, como Recife (PE) e Campinas (SP).

Já no campo das pesquisas, o levantamento da PoderData/AYA, publicado nesta terça, mostrou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos no segundo turno, ante 49% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 1,8 ponto porcentual, mas a vantagem de Flávio caiu de 6 pontos em 8 de outubro para 2 pontos agora. Na pesquisa BTG/Nexus, considerando apenas os votos válidos, o senador registra 52%, e o incumbente, 48%, também em empate técnico. A margem de erro é de 2 pontos.

Economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung afirma que as incertezas eleitorais influenciaram a abertura da curva de juros local, a despeito do quadro externo mais ameno, com ligeira queda do petróleo. A baixa da commodity, que fechou a sessão com perda de 0,9% no caso do Brent, enfraqueceu o dólar frente a pares e aliviou os rendimentos dos títulos soberanos dos EUA com prazo de 10 anos e 30 anos.

Já por aqui, diz Sung, as novas pesquisas apontando empate técnico, diferentemente das enquetes anteriores, em especial as da última semana, diminuíram o ânimo dos investidores. “A visão é que Flávio Bolsonaro possivelmente faça um ajuste fiscal um pouco maior, mais profundo e adote uma agenda mais liberal. E com isso o mercado tende a se animar mais”, afirmou. Além disso, acrescenta, há realização de lucros por parte do mercado após o rali da semana passada.

Sob anonimato, um gestor de renda fixa de uma grande asset relatou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que diminuiu o risco em suas carteiras nesta volta do feriado. “O mercado andou muito, e as pesquisas estão voltando a dar empate técnico. Muito improvável virar, mas vai quê. A assimetria agora é para o outro lado”, avaliou.

Outro fator mencionado por profissionais de renda fixa que elevou a aversão ao risco foi a PEC que prevê o fim da escala 6×1, que deve ser votada em primeiro turno nesta semana no Senado. O governo tenta acelerar a tramitação antes do segundo turno, enquanto Flávio declarou que votará a favor da pauta. “A discussão pode trazer incertezas sobre os custos trabalhistas, a produtividade e os efeitos sobre a inflação e as contas públicas”, afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora

Estadão Conteúdo

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