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Economia

Dólar sobe e Bolsa recua após Trump indicar novo presidente do Fed

Indicação de Kevin Warsh para o comando do Fed fortalece o dólar globalmente

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 13h52

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar está em alta nesta sexta-feira (30), com investidores avaliando a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

O nome de Warsh precisa ser aprovado pelo Senado antes do fim do mandato de Jerome Powell, em 15 de maio. No Brasil, o dia também é de definição da Ptax de fim de mês, o que tende a elevar a volatilidade até o início da tarde.

Às 13h33, a moeda norte-americana subia 0,78%, cotada a R$ 5,235. Já a Bolsa recuava 0,22%, a 182.729 pontos.

O anúncio da indicação de Kevin Warsh para o Fed foi feito através das redes sociais do presidente Donald Trump nesta manhã.

“‘Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvida de que ele entrará para a história como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo, ele é ‘central casting’ e nunca vai decepcionar”, escreveu.

As declarações de Trump dialogam com os ataques recorrentes a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

Para Trump, a taxa de juros norte-americana deveria ser reduzida para 1,5%. Os Fed Funds foram mantidos na banda de 3,5% e 3,75% na quarta-feira (28), uma pausa no ciclo de cortes de juros então em curso desde setembro do ano passado.

“Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente no Truth Social na quinta-feira. “Ele está custando à América centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e sem justificativa.”

Operadores temiam tentativas de interferência política nas decisões do Fed, um banco central independente, através da escolha do novo presidente. Mas Warsh é visto “como um nome com credibilidade no mercado e com experiência no Fed, o que tende a diminuir a volatilidade [nos mercados] no curto prazo”, diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.

O nome indicado por Trump tem laços profundos com Wall Street e é sócio do investidor bilionário Stanley Druckenmiller, próximo do secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que liderou o processo de busca pelo próximo presidente do Fed.

Warsh passou a se tornar conhecido em Wall Street em 2008, durante a crise imobiliária do país, quando atuou como intermediário entre funcionários do Fed e investidores, ajudando a orientar a resposta do banco central a uma das crises mais graves desde a Grande Depressão de 1929.

Ele depois foi nomeado para o Fed pelo presidente George W. Bush e atuou como governador de 2006 a 2011. Ele apoiou a necessidade de taxas mais baixas, ao mesmo tempo em que pediu uma “mudança de regime” na autarquia financeira.

Apesar da defesa por juros baixos, Warsh “é conhecido por ter, historicamente, uma postura hawkish [agressiva no combate à inflação], o que diminui a visão de risco de captura política total do banco central”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Não seria esse o caso se o nome escolhido fosse o de Rick Rieder, diretor de Investimentos da BlackRock, ou o de Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, afirma Zogbi. Ambos também estavam cotados para o cargo.

Após o anúncio, o dólar se valorizava globalmente. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa em relação a seis moedas fortes, subia 0,53%, a 96,67 pontos.

“Para o Brasil e emergentes, o impacto pode ser de pressão via dólar forte e rendimentos globais [de renda fixa] mais altos no curto prazo, com a projeção de juros caindo mais lentamente. Mas o mais importante é que a escolha de Trump abaixa o risco político e pode levar a uma reprecificação global de taxas mais saudável para o longo prazo”, diz Zogbi.

No mercado local, a definição da Ptax de fim de mês adiciona volatilidade ao câmbio. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

As janelas de coleta do BC para formação da Ptax são próximas de 10h, 11h, 12h e 13h, o que tende a elevar a volatilidade nestes horários.

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