Os Estados Unidos vetaram hoje uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentada pelo Catar condenando a incursão militar de duas semanas de Israel em Gaza.
O dólar voltou a fechar acima de R$ 2, more about 20 hoje, como reflexo da deterioração dos mercados globais após tensões geopolíticas terem provocado um movimento de aversão a risco.
A divisa norte-americana subiu 0,86% e fechou a R$ 2,220s, na terceira sessão seguida de alta.
"(O mercado) está acompanhando lá fora, com movimento apreensivo a tudo. Você vê o mercado inteiro ruim", destacou Daniel Szikszay, gerente de câmbio do banco Schahin.
Diversas questões geopolíticas deixaram os mercados nervosos hoje, com destaque para o conflito entre Israel e Líbano, as tensões envolvendo o programa nuclear do Irã e as negociações fracassadas entre Coréia do Sul e Coréia do Norte sobre os testes de mísseis norte-coreanos.
As bolsas norte-americanas caíam mais de 1,5% nesta tarde, e o preço dos Treasuries (títulos do Tesouro Americano) subia, apontando maior demanda pelo papel. O petróleo saltou para níveis recordes, fechando perto de US$ 77 por barril em Nova York.
O mercado de moedas também sofreu, com o franco-suíço avançando perante outras divisas por ser considerada de maior segurança.
O gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que não quis ser identificado, ponderou que, apesar de os fatores internos seguirem positivos, "os fundamentos aqui não são suficientes para cobrir esse impacto lá de fora". "Tem volume (de entrada), mas a preocupação geopolítica e econômica permanece", acrescentou o gerente, lembrando que o mercado continua atento à possibilidade de juros maiores no mundo.
A alta do dólar pelas pressões externas não foi suficiente para afastar o Banco Central do câmbio. A autoridade monetária realizou leilão de compra de dólares no fim da manhã e aceitou pelo menos 11 propostas, com corte a R$ 2,207.
Segundo analistas, a atuação do BC não adicionou pressão no mercado pois havia liquidez no momento do leilão. Operadores calculam que a autoridade monetária tenha diminuído o volume comprado nesta sessão frente aos dias anteriores.
Szikszay, do Schahin, reiterou que o BC entrou com o leilão no momento em que o mercado estava mais tranquilo. "Quando ele fez a atuação, estava num momento mais calmo, não estava tão ruim como agora no final do dia."
Operadores calculam que a autoridade monetária já comprou cerca de US$ 700 milhões só nesta semana. O BC retomou os leilões na semana passada e, desde então, só não fez a operação no dia 5 de julho.
Em julho, até o dia 12, as reservas internacionais subiram quase US$ 700 milhões, chegando a US$ 63,357 bilhões ontem.