O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (20) em alta de 1,79%, cotado a R$ 5,309, o maior nível desde 13 de maio. A moeda acumulou ganho de 3,41% em março, embora recue 3,28% no ano. Já o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em 176.219 pontos, com recuo de 2,25%, no menor patamar desde 22 de janeiro. O índice registra perda de 6,66% no mês e acumula alta de 9,37% em 2024, marcando a quarta semana consecutiva de queda.
A volatilidade reflete a aversão global ao risco, impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã. Informações sobre possível envio de tropas dos Estados Unidos e ameaças de interrupção no fornecimento de petróleo aumentaram a cautela. Há temores de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo, o que poderia prolongar o choque nos preços de energia.
Os contratos de petróleo Brent, referência global, avançaram mais de 3%, fechando acima de US$ 112 por barril e atingindo US$ 115 durante o dia. Relatórios de instituições financeiras alertam que interrupções prolongadas no fluxo de petróleo podem manter os preços elevados por meses, exacerbando pressões inflacionárias mundiais.
No exterior, a valorização do dólar e o avanço dos juros nos Estados Unidos contribuíram para o movimento. Investidores reavaliam as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, considerando uma postura mais rígida face ao risco inflacionário decorrente do encarecimento da energia. As taxas dos títulos do Tesouro americano subiram, pressionando ativos de risco em emergentes.
No Brasil, o real foi uma das moedas emergentes com pior desempenho, refletindo saída de recursos e redução de posições em ativos locais. A bolsa sofreu quedas disseminadas, especialmente em ações sensíveis ao ciclo econômico e ao crédito, como as de construção civil e varejo, acompanhando a disparada dos juros no mercado futuro.