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Economia

Dólar ronda estabilidade e Bolsa avança com mercado à espera de entrevista de Lula

Mercado monitora entrevista de Lula e pesquisas enquanto dólar e Bolsa oscilam

Redação Jornal de Brasília

05/02/2026 13h18

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (5), com investidores à espera de uma entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda pela manhã.

No mercado, há a percepção de que a corrida presidencial será um norteador para as decisões de investimento ao longo dos próximos meses, elevando a volatilidade dos ativos brasileiros.

Às 12h06, a moeda marcava variação positiva de 0,05%, a R$ 5,253. Já a Bolsa subia 0,62%, a 182.849 pontos, com a temporada de balanços no radar.

O presidente Lula dará uma entrevista ao portal UOL às 11h (horário de Brasília). A expectativa dos agentes é que o petista aborde planos sobre a campanha eleitoral deste próximo ano conforme o tabuleiro segue com indefinições.

A pesquisa Meio Ideia divulgada na quarta-feira apontou que o presidente está em empate técnico com Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) em simulações de segundo turno das eleições.

A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. No segundo turno com Flávio, Lula atinge 45,8%, contra 41,1% do senador. Na disputa com Tarcísio, Lula vai a 44,7%, e o governador, a 42,2%. Michelle marca 40,7% ante 45% do pré-candidato à reeleição. A diferença nos três casos está dentro do limite da margem de erro.

Versão da mesma pesquisa realizada em janeiro mostrava que, no segundo turno, o petista vencia a mulher e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e empatava apenas com Tarcísio.

Segundo pessoas a par da campanha, o presidente avalia adotar um discurso “antissistema”, com alvo principalmente no mercado financeiro, para substituir a ideia de “reconstrução” —propagada desde o início de seu mandato, mas considerada eleitoralmente fraca por parte de seu entorno.

Se for colocado em prática, o plano abrirá uma disputa com o bolsonarismo sobre o que é o “sistema”. A expressão costuma ser usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados para retratar de forma negativa a elite política e judiciária do país e outros setores com os quais entram em atrito.

No caso de Lula, o “sistema” estará se referindo a grandes operadores do mercado financeiro e bilionários contrários à distribuição de renda. Também a setores privilegiados da sociedade, como grupos econômicos que defendem os próprios benefícios tributários e sócios do crime organizado em esquemas de lavagem de dinheiro.

Desde que o recesso de fim de ano paralisou as atividades no Congresso, o mercado tem deixado a corrida presidencial em banho-maria na hora de tomar posições de investimento. Os parlamentares devem voltar à ativa em março e, em abril, os candidatos oficializam a intenção de disputar o pleito.
Até lá, operadores torcem por sinalizações de mudanças na condução da política econômica do país a partir de 2027.

“O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade”, afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

A entrevista do presidente acontece também em um momento em que a indicação para a diretoria do Banco Central está no radar dos investidores. Segundo pessoas no entorno de Lula, a intenção dele é nomear uma mulher para uma das duas diretorias da autarquia.

A prerrogativa de indicar diretores do BC é exclusiva do presidente da República. Para isso, ele tem ouvido especialmente o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad —de quem já recebeu sugestões.

O assunto esquentou nesta semana depois que um dos nomes apresentados por Haddad —Guilherme Mello, atual secretário de Política do Ministério da Fazenda— vazou para a imprensa. Ele enfrenta resistência do mercado financeiro.

“Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela. Isso costuma aparecer na forma de juros mais altos nos prazos longos, pois o mercado passa a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo”, diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.

A leitura é de que Lula, com a indicação, passaria um sinal de interferência política do PT num dos momentos mais difíceis para o BC com a crise do Master e início do processo de queda da taxa Selic. A queda dos juros é esperada para a reunião de março do Copom (Comitê de Política Monetária), após um ciclo de aperto monetário que levou os juros para o patamar de 15% ao ano.

O mercado ainda se volta ao cenário internacional. O Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros de referência em 3,75% após uma votação inesperadamente apertada de 5 a 4. A autoridade monetária ainda afirmou que espera um corte futuro se a queda da inflação prevista para os próximos meses não for apenas temporária.

O Banco Central Europeu também manteve as taxas de juros inalteradas, mas não deu pistas sobre os próximos passos. O movimento reforçou apostas do mercado de que a política monetária permanecerá inalterada por algum tempo, já que o bloco desfruta de crescimento constante e inflação próxima da meta.

Como reflexo, o dólar registrava ganhos firmes ante a libra e o euro.

Na Bolsa, a temporada de balanços é destaque. O Itaú Unibanco teve um lucro líquido de R$ 46,8 bilhões em 2025, número 13,1% maior que o do ano anterior. Com o resultado, o banco renovou seu recorde de maior lucro de um banco brasileiro da história, em termos corrigidos pela inflação, segundo dados da Elos Ayta.

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