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Economia

Dólar ronda a estabilidade, e Bolsa cai com alta do petróleo e decisões de juros no radar

Às 13h26, a moeda norte-americana caía 0,02%, cotada a R$ 5,242, próxima da estabilidade. Na máxima do dia, o dólar marcou R$ 5,313, em alta de 1,34%

Redação Jornal de Brasília

19/03/2026 14h03

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (19), em pregão marcado pela volatilidade, com as decisões de juros do Copom e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), além da disparada do preço do petróleo, no radar dos investidores.

A alta do barril do Brent, referência global da commodity, ocorre após uma nova onda de ataques de Israel e dos EUA contra o Irã, que respondeu com bombardeios a instalações de energia em vários países do Oriente Médio.

Às 13h26, a moeda norte-americana caía 0,02%, cotada a R$ 5,242, próxima da estabilidade. Na máxima do dia, o dólar marcou R$ 5,313, em alta de 1,34%.

A escalada das ofensivas repercute na Bolsa, em meio a uma maior aversão global ao risco. No mesmo horário, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,41%, aos 178.829 pontos.

A instabilidade global também se reflete nos juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que medem a expectativa do mercado em relação ao futuro das taxas Selic e CDI (usado como referência para remunerar investimentos), subiam em bloco.

Às 12h27, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,835%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,73% da sessão anterior (na máxima, o avanço chegou a 25 pontos). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,01%, com elevação de 11 pontos-base em relação aos 13,90% anteriores —abaixo do pico de 14,19%, quando chegou a subir 29 pontos-base.

O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a disparada das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo, adotando uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

Na decisão da última quarta, o colegiado do Banco Central confirmou o plano traçado no encontro anterior, em janeiro, quando sinalizou a intenção de iniciar a redução de juros em março, e reduziu a Selic para 14,75% ao ano. Foi a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo.

Mas o comitê não antecipou quais serão os seus passos futuros e deixou a próxima decisão em aberto, citando “forte aumento da incerteza”. Evitou até mesmo palavras como “redução” ou “cortes” e optou por mencionar ciclo de “calibração” da política de juros. A ideia do Copom é ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito no Oriente Médio antes de definir os movimentos seguintes.

Às vésperas do encontro, cresceu no mercado financeiro a aposta de uma redução menor de juros no primeiro movimento, de 0,25 ponto percentual, diante da disparada dos preços do petróleo. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o consenso era de corte de 0,5 ponto percentual.

No exterior, o conflito também foi mencionado pelo Fed (Federal Reserve). O banco central dos EUA citou que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio na economia dos Estados Unidos são “incertos”.

O Fed optou por manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado pelos mercados. No comunicado que acompanhou a definição, o banco central afirmou que não haverá cortes na taxa de juros se não houver progresso na inflação, indicando que, embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no “ritmo desejado”.

A declaração foi vista como “hawkish” pelos operadores —agressiva na política de juros, no jargão—, o que minou a atratividade de ativos de risco.

“Esse é um dos fatores que também pressionam o real hoje. Além disso, apesar de o Copom ter adotado um tom mais cauteloso, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio, a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, o que contribui para uma piora no cenário doméstico”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Enquanto isso, o conflito entre EUA e Israel contra o Irã tem escalado. Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19), com o Brent, referência do mercado, atingindo seu maior nível em mais de uma semana, ultrapassando os US$ 119 por barril, depois que o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel ao seu campo de gás de South Pars.

Na noite de quinta (18) e nesta madrugada, o Irã empreendeu uma grande retaliação após Israel atingir com força instalações de extração de gás natural da teocracia.

No mercado internacional, os confrontos geravam maior aversão ao risco. Às 13h25, as Bolsas norte-americanas Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 caíam 0,74%, 0,71% e 0,47%, respectivamente. Na Europa, o índice Euro STOXX 50, referência na continente, recuava 2,10% no mesmo horário.

Para Bezzon, a alta do petróleo intensifica a cautela dos investidores e tende a prejudicar moedas emergentes. “Nesse contexto, o ímpeto de valorização que o real vinha apresentando nas últimas sessões perde força”, diz.

Neste cenário de incertezas, o BC fez dois leilões simultâneos, um de dólar à vista e outro de swap cambial reverso —uma espécie de operação de compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos US$ 1 bilhão em cada operação. A ação busca elevar liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual.

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