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Economia

Dólar recua no dia a R$ 5,18 com pesquisas, mas acumula alta de 2,16% em agosto

Pela manhã, marcada pela disputa pela formação da última taxa Ptax de agosto, a moeda chegou a trocar de sinais, registrando mínima de R$ 5,1615

Redação Jornal de Brasília

31/08/2026 18h30

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

São Paulo, 31 – O dólar abriu a semana em queda moderada no mercado local, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, embora algumas divisas latino-americanas tenham tropeçado. Operadores afirmam que houve acomodação da taxa de câmbio, com devolução parcial dos ganhos registrados na sexta-feira, em parte embalada pela nova rodada de pesquisas apontando para uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto.

Pela manhã, marcada pela disputa pela formação da última taxa Ptax de agosto, a moeda chegou a trocar de sinais, registrando mínima de R$ 5,1615.

A avaliação é de que a volatilidade foi bem contida, uma vez que boa parte dos ajustes técnicos típicos de fim de mês já teria sido realizada nos últimos pregões da semana passada.

Com máxima de R$ 5,1892, à tarde, o dólar encerrou a segunda-feira em queda de 0,32%, a R$ 5,1801, acumulando ganhos de 2,16% em agosto, após recuo de 1,79% em julho.

“Houve uma alta muito forte na sexta-feira, com o dólar atingindo R$ 5,23 e depois fechando abaixo de R$ 5,20. Vejo o movimento de hoje mais como um ajuste, talvez com algum impacto das pesquisas eleitorais, embora não haja uma mudança significativa no cenário”, afirma o operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,1% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois caiu 1,8 ponto porcentual em relação ao levantamento anterior. Já a pesquisa BTG/Nexus trouxe Lula e Flávio empatados tecnicamente em simulação de segundo turno.

A grande novidade dessa safra de pesquisas é o crescimento de Augusto Cury (Avante), que assumiu a terceira posição em ambas, reduzindo, em tese, as chances de uma eventual vitória de Lula já no primeiro turno.

“Esse crescimento da oposição, com empate técnico entre Lula e Flávio, tende a trazer um alívio para o câmbio, porque a direita é a principal aposta do mercado para uma mudança da política econômica, com redução dos gastos públicos”, afirma o economista Fabrizio Velloni.

Ele ressalta que o recrudescimento da guerra no Oriente Médio pode favorecer países exportadores de petróleo, caso do Brasil.

As cotações do petróleo subiram quase 3%, com o contrato do Brent para novembro superando a marca de US$ 90 o barril, após trocas de ataques no Golfo Pérsico. Os Estados Unidos bombardearam partes da ilha iraniana de Larak, o que foi classificado por Teerã como uma violação de sua soberania nacional. Em resposta, o Irã atacou bases militares americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

Referência do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,29% perto do fim da tarde, aos 99,412 pontos, após mínima de 99,370 pontos. As taxas dos Treasuries mais longos subiram cerca de cinco pontos-base.

Já o retorno da T-note de 2 anos praticamente não saiu do lugar, após a arrancada da última sexta-feira, quando o discurso duro do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Warsh, elevou as chances de alta dos juros nos EUA em setembro.

Investidores aguardam a divulgação, nesta sexta-feira, 4, do relatório de emprego (payroll) de agosto, para calibrar as apostas em torno de um aperto da política monetária. Warsh, porém, reforçou que a saúde do mercado de trabalho abre espaço para que o Fed mantenha o foco na inflação.

“Warsh ainda enfrenta um problema de credibilidade: ele tem defendido a necessidade de o Fed reduzir a inflação para a meta de 2%, mas ainda não traduziu esse discurso em ações concretas”, avalia o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Bolsa

Depois de tocar mais cedo a máxima em 178.585,94 pontos, o Ibovespa perdeu força e fechou nos 177.418,78 pontos (alta de 1%) nesta segunda-feira. O maior catalisador para o movimento foi a disparada das ações da Petrobras no dia, com avanço de 3,38% das preferenciais e 4,23% das ordinárias, em dia de firme valorização do petróleo. A commodity teve alta de 2,71% (US$ 2,39), a US$ 90,49 por barril.

Depois de uma sequência forte de saídas de recursos estrangeiros da bolsa até a metade do mês, uma nova leva de entrada de dinheiro desses investidores nas últimas sessões permitiu que o Ibovespa retomasse o fôlego. Desde o último dia 21, os estrangeiros ingressaram com pouco mais de R$ 4 bilhões na B3 e, de lá para cá, o Ibovespa subiu 3,7%. Com isso, o índice basicamente anulou as perdas de agosto, encerrando o mês com leve queda de 0,33%. No ano, o avanço é de 10,11%.

Um barril de petróleo mais caro representa ganhos para a estatal, e essa correlação fica ainda mais clara no desempenho do papel em horizontes mais longos frente à performance da commodity. No ano, o petróleo já acumula ganhos acima de 40%, enquanto as ações preferenciais da Petrobras, mais líquidas, sobem 54%.

“A valorização da commodity é impulsionada diretamente pelo acirramento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, o que desperta temores no mercado sobre possíveis interrupções ou gargalos no seu fornecimento global. Esse cenário de alta do barril beneficiou o desempenho das ações da Petrobras, que, junto aos grandes bancos e varejistas, ajudou a puxar o índice para cima e dá fôlego para o Ibovespa”, afirma Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad.

As eleições também continuam pautando o movimento do mercado no Brasil. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneça forte na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL) vem mostrando mais força em levantamentos recentes, amparando a perspectivas dos investidores de que o pleito será mais acirrado Isso agrada o mercado porque uma chapa mais à direita é vista como mais alinhada ao controle dos gastos públicos e a uma agenda fiscal mais dura, com consequente efeito para a política monetária, para os juros e maior propensão à tomada de risco no Brasil.

Nesta segunda-feira, a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro, queda de 1,8 ponto porcentual frente à pesquisa anterior. Quadro parecido se viu na pesquisa BTG/Nexus, com Lula e Flávio empatados tecnicamente em simulação de segundo turno.

Juros

Os juros futuros deixaram para trás a dinâmica benigna observada até o começo da tarde desta segunda-feira, 31, favorecida por pesquisas eleitorais que reforçaram a avaliação de um quadro eleitoral mais acirrado, e fecharam a última sessão de agosto perto dos ajustes de sexta-feira. A curva a termo inverteu o comportamento benigno e passou a subir por volta das 15h, após a publicação da notícia de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a realização de propaganda eleitoral na internet do candidato do Missão à presidência, Renan Santos. O movimento, no entanto, perdeu força rumo ao final do pregão.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,616%, no ajuste de sexta-feira, a 13,615%. O DI para janeiro de 2029 aumentou a 14,175%, vindo de 14,153% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 ficou praticamente estável, ao passar de 14,481% a 14,480%.

No saldo do mês de agosto, marcado por dados internos de inflação e atividade que mostraram arrefecimento, disparada de títulos longos nos EUA e um discurso mais duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, a curva a termo ganhou inclinação, com recuo de cerca de 20 pontos-base da ponta curta, ao passo que o miolo e a ponta longa da curva subiram 5 pontos-base e 10 pontos-base, respectivamente.

Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, enquanto a desaceleração do mercado de trabalho e da atividade reforça as apostas em um novo corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, o tom hawkish de Warsh aumenta a pressão sobre os juros americanos e limita o espaço para uma extensão mais prolongada do ciclo de cortes no Brasil.

O último pregão do mês foi marcado por dois movimentos distintos no mercado de juros futuros, em linha com a volatilidade típica de períodos eleitorais. Até o início da tarde, as taxas ignoraram o avanço do petróleo e o aumento dos rendimentos dos Treasuries e firmaram leve queda, com suporte de pesquisas que reforçaram a percepção de uma disputa presidencial mais acirrada entre o incumbente e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – que, na visão do mercado, tem maior comprometimento com pautas fiscais.

Por volta das 15h, porém, o alívio saiu de cena, coincidindo com a publicação da notícia de que o TSE suspendeu a realização de propaganda eleitoral na internet do candidato Renan Santos, além de impor uma série de restrições, como o direito de participar de debates em rádios, televisão, podcasts ou outros meios.

Profissionais de renda fixa ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) não cravam 100% que este foi o gatilho para a inversão da curva, mas avaliam que a notícia, por embaralhar ainda mais o quadro eleitoral e trazer insegurança jurídica, pode ter sido lida como algo negativo.

Head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida afirma que, em ambas partes do pregão, prevaleceu o cenário doméstico, a despeito da primeira agressão dos EUA ao Irã em um mês no último fim de semana. Se, ao longo da manhã, as taxas tiveram evolução benigna devido à estabilidade nas estimativas de inflação do Focus e, também, às pesquisas eleitorais, na parte da tarde, ingredientes mais negativos podem ter pesado sobre a curva, disse.

Nesta segunda, duas novas pesquisas mostraram tendência similar. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, a vantagem de Lula em relação a Flávio em eventual segundo turno caiu de 6 pontos para 4,5 pontos porcentuais. Já a enquete BTG/Nexus indica pleito ainda mais apertado, com apenas um ponto de diferença entre os dois candidatos (45% para o senador e 46% para o petista). As duas pesquisas também trouxeram crescimento relevante do candidato Augusto Cury (Avante).

“A leitura do cenário eleitoral foi benigna no sentido de promover um fechamento da curva de juros. Mas essa notícia sobre o Renan traz insegurança jurídica. Também há a percepção de que isso possa beneficiar a candidatura dele. É muito incerto”, destacou Almeida.

Na mesma linha, um gestor de renda fixa de uma grande asset afirma, em caráter reservado, que a notícia pode não ter relação direta com o quadro eleitoral, mas pode ter trazido um sentimento maior incerteza. “Quem pode ser amanhã?”, questionou.

Estadão Conteúdo

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