FOLHAPRESS
O dólar está em queda nesta segunda-feira (22), com investidores novamente atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã no contexto da guerra no Oriente Médio.
Mercado também repercute a nova pesquisa Datafolha sobre as eleições presidenciais, divulgada no último sábado (20). O levantamento mostrou situação de estabilidade em um hipotético segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com ambos repetindo o placar visto há um mês, de 47% para o petista e 43% para o bolsonarista.
Às 11h54, a moeda norte-americana caía 0,71%, cotada a R$ 5,137, na contramão do exterior após acumular forte alta nas sessões da semana passada. O BC (Banco Central) ainda realizou duas operações cambiais simultâneas, em movimento conhecido como “casadão”.
Já a Bolsa tinha alta de 1,01%, a 170.043 pontos.
Segundo os países mediadores Qatar e Paquistão, a primeira rodada de negociações entre Teerã e Washington terminou nesta segunda, noite de domingo no Brasil.
Em declaração conjunta, eles afirmam que ambos os países concordaram com um roteiro para chegar a um acordo final em 60 dias. As negociações técnicas continuarão durante o resto da semana no resort de montanha suíço de Bürgenstock, de propriedade do Qatar, segundo o comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores qatari.
As partes concordaram com um mecanismo para pôr fim aos combates no Líbano e abriram uma linha de comunicação para ajudar a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Hormuz, afirmou também o comunicado.
O avanço das negociações vem apesar das ameaças recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reiniciar a guerra e do anúncio de que Teerã havia fechado o Estreito de Hormuz novamente.
Até então, o mercado questionava a efetividade do memorando de entendimento assinado na semana passada.
“O final de semana foi marcado por eventos contraditórios, que chegaram a colocar em dúvida a sustentabilidade do cessar-fogo. No sábado, Israel realizou novos ataques no Líbano, enquanto Trump voltou a ameaçar uma ação direta contra o Irã caso a trégua não se mantivesse. Em resposta, o Irã anunciou no domingo um novo fechamento do Estreito de Hormuz”, afirma Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Os avanços anunciados pelos países mediadores, no entanto, colocam panos quentes sobre as dúvidas que, até então, estavam fomentando a busca por segurança nos mercados. “As negociações contribuem para reduzir a percepção de risco geopolítico dos investidores e favorecem o desempenho de ativos de maior risco, entre eles o real, exercendo pressão baixista sobre a taxa de câmbio”, diz Mattos.
O real ainda exibe uma performance melhor que as demais divisas emergentes por causa de um movimento de correção. Como a moeda brasileira enfrentou fortes perdas na semana passada, na esteira das decisões de juros do Federal Reserve e do BC, parte dessa baixa está sendo devolvida nesta sessão.
Além disso, o BC realizou dois leilões simultâneos no início da manhã: um de US$ 1 bilhão em moeda à vista e outro de 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso -uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.
No exterior, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, tinha estabilidade, em variação positiva de 0,03%, a 100,88 pontos.
O mercado ainda repercute a pesquisa Datafolha do final de semana, que mostrou que Flávio Bolsonaro estancou, por ora, o prejuízo eleitoral causado pelo caso “Dark Horse”.
O presidente Lula (PT) manteve a vantagem e marca 41% no cenário mais provável de primeiro turno ante 31% de Flávio Bolsonaro (PL).
Na rodada anterior, feita após a revelação de que Flávio havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), Lula marcou 40% enquanto o senador tinha os mesmos 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A situação de estabilidade também define o hipotético segundo turno entre Lula e Flávio, em que ambos repetiram o placar visto há um mês, de 47% para o petista e 43% para o bolsonarista. Desta vez, os brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe.