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Economia

Dólar oscila e Bolsa vira para queda firme com exterior negativo

Nesta quinta, Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam ter a taxa de juros mais baixa do mundo

Redação Jornal de Brasília

29/01/2026 15h55

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar oscila entre os sinais nesta quinta-feira (29), revertendo as perdas de mais cedo em meio ao mau humor global sobre ativos de risco.

A Microsoft divulgou gastos recordes e desaceleração no crescimento das vendas do negócio de nuvem, reavivando preocupações sobre o retorno e a sustentabilidade de investimentos em inteligência artificial.

Temores de que uma bolha de IA possa estourar nos mercados inibem o apetite por risco globalmente. O índice Nasdaq Composite, majoritariamente formado por empresas de tecnologia, caía 1,5%.

Os receios contaminavam a Bolsa de Valores brasileira, antes em forte alta após a sinalização de corte de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) na véspera.

Às 14h52, o dólar tinha variação positiva de 0,06%, a R$ 5,211, depois de ter marcado R$ 5,165 na mínima do dia. Já o Ibovespa caía 0,9%, a 183.017 pontos, distante da máxima de 186.449 pontos atingida no começo das negociações.

Os mercados estão puxando o freio de mão nesta quinta em meio a sinais de que as maiores empresas de tecnologia não estão demonstrando sinais de que irão reduzir os gastos com inteligência artificial tão cedo -mesmo com dúvidas crescentes sobre a demanda que justifique esses investimentos.

A primeira onda desses temores ocorreu no final do ano passado, quando Wall Street passou a questionar se os bilhões de dólares ivnestidos nessa tecnologia iriam dar o retorno previsto. Com o relatório desta quinta da Microsoft, esses medos voltaram a rondar as mesas de operação.

A empresa fundada por Bill Gates caía 12%, na maior queda desde 2020. A Meta, por outro lado, avançava 8% depois de amenizar preocupações com seus planos de gastos.

“Os investidores estão vendendo porque provavelmente perceberam que não vão ganhar tanto dinheiro com o tema da IA quanto esperavam há seis meses”, diz Matt Maley, da Miller Tabak & Co. “O mercado de IA está saturado e os investidores estão reavaliando o setor, então estão redistribuindo suas posições em ações de grandes empresas de tecnologia.”

O movimento de venda chegou ao Brasil, que viu o Ibovespa se valorizar mais de 14% no mês de janeiro devido ao fluxo de investidores estrangeiros no país.

Antes, os investidores repercutiam a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Copom, que prevê iniciar o ciclo de cortes nos juros a partir da próxima reunião caso o cenário esperado para a inflação se confirme.

O comitê, porém, reforça que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou em comunicado.

A centro da meta de inflação da autoridade monetária é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. No modelo atual de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

Como reflexo do cenário de juros elevados por período prolongado -a Selic está em 15% ao ano desde junho do ano passado-, a inflação perdeu força em 2025 e fechou o acumulado do ano em 4,26%, abaixo do teto da meta. Foi o menor índice para um ano fechado desde 2018, quando o IPCA avançou 3,75%.

Na visão da equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú, o comunicado indica que o compromisso do Copom com a meta “requer serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, e dependerá do grau de confiança que seus membros desenvolverem em relação a convergência”.

A expectativa do banco é que o primeiro corte do ciclo seja de 0,25 ponto percentual. “Aguardaremos a divulgação da ata da reunião na próxima terça-feira para reavaliar nossa projeção. Ainda assim, não esperamos um ciclo muito maior que 2,25 pontos, levando a taxa básica a 12,75% ao ano até dezembro.”

Para a Bolsa, juros mais baixos tendem a ser uma boa notícia: ao tirar um pouco do brio da renda fixa, o corte estimula que investidores procurem retornos mais altos em ativos de risco. Segundo a XP, os últimos oito ciclos recentes de afrouxamento monetário levaram o Ibovespa a subir 39,2%.

Mas, no câmbio, o corte da Selic tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros. Agentes do mercado têm ponderado, no entanto, que o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Nessa modalidade de operação, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Nos EUA, por exemplo, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) optou por manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e não deu previsão para a retomada do ciclo de cortes.

A manutenção já era amplamente esperada pelo mercado, apesar da pressão do presidente Donald Trump por mais reduções e da abertura, neste mês, de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente da instituição.

Nesta quinta, Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam ter a taxa de juros mais baixa do mundo.

Os embates do republicano com o banco central têm gerado preocupações nos mercados conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se aproxima. O mandato de Jerome Powell termina em maio, e operadores temem que Trump opte por um dirigente que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.

Essa preocupação se soma a outras incertezas relacionadas às políticas fiscais, domésticas e internacionais de Trump -um caldo que tem incentivado um movimento de rotação para fora das praças norte-americanas.

Nas últimas semanas, o fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes se avolumou, com o Brasil recebendo parte desse montante. A entrada de capital aqui levou a Bolsa a recordes e fez o dólar romper o ponto de suporte de R$ 5,30.

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