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Economia

Dólar fecha estável e Bolsa avança com entrevista de Lula e dados dos EUA no radar

Mercado reage a falas de Lula e a dados dos EUA e dólar fecha estável

Redação Jornal de Brasília

05/02/2026 18h41

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar fechou perto da estabilidade nesta quinta-feira (5), tendo marcado variação positiva de 0,04% e cotação de R$ 5,253 no fim do dia.

O mercado reagiu à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela manhã, com a moeda oscilando entre R$ 5,288 na máxima e R$ 5,235 na mínima. À tarde, dados dos Estados Unidos entraram em foco.

Já a Bolsa avançou 0,23%, a 182.127 pontos, tendo também no radar a temporada de balanços no radar e impulso das ações do Itaú. O Ibovespa chegou a 184.017 pontos no pico do dia, mas perdeu força à tarde com pressão da queda da Vale.

Lula afirmou que sua viagem a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ocorrer na primeira semana de março.

“Somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. Não pode ficar conversando por Twitter. Nós temos que sentar em uma mesa, olhar um no olho do outro, ver quais os problemas que afligem ele, quais os que me afligem, o que interessa para os EUA e o que interessa para o Brasil, e vamos trabalhar juntos”, disse o presidente brasileiro ao portal UOL.

Ele disse que os dois países poderão discutir assuntos que incluem exportações, indústria e exploração de minerais críticos e terras raras.

Sobre o escândalo envolvendo a liquidação do Banco Master, o presidente afirmou que esta é uma “chance real de pegar” os magnatas da corrupção ligada à lavagem de dinheiro no país.

Lula também reclamou que a taxa de juros está elevada no Brasil, mas acrescentou que a economia não parou de crescer apesar disso. “Bons resultados da economia vão virar votos, só deixar a campanha começar”, disse Lula, em referência à corrida eleitoral deste ano.

A pesquisa Meio Ideia divulgada na quarta-feira apontou que o presidente está em empate técnico com Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) em simulações de segundo turno das eleições.

A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. No segundo turno com Flávio, Lula atinge 45,8%, contra 41,1% do senador. Na disputa com Tarcísio, Lula vai a 44,7%, e o governador, a 42,2%. Michelle marca 40,7% ante 45% do pré-candidato à reeleição. A diferença nos três casos está dentro do limite da margem de erro.

Desde que o recesso de fim de ano paralisou as atividades no Congresso, o mercado tem deixado a corrida presidencial em banho-maria na hora de tomar posições de investimento. Os parlamentares devem voltar à ativa em março e, em abril, os candidatos oficializam a intenção de disputar o pleito.

Até lá, operadores torcem por sinalizações de mudanças na condução da política econômica do país a partir de 2027.

“O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade”, afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

O mercado ainda se voltou ao cenário internacional. As vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos caíram para o nível mais baixo em mais de cinco anos em dezembro, e os dados do mês anterior foram revisados para baixo, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho em sua pesquisa Jolts nesta quinta.

As vagas em aberto, uma medida da demanda por mão de obra, diminuíram em 386 mil, para 6,542 milhões, até o último dia de dezembro, o nível mais baixo desde setembro de 2020.

Além disso, o Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros de referência em 3,75% após uma votação inesperadamente apertada de 5 a 4. O Banco Central Europeu também manteve as taxas de juros inalteradas, mas não deu pistas sobre os próximos passos.

A fraqueza no mercado de trabalho dos EUA e as decisões de juros fizeram o dólar registrar ganhos globalmente. O índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, teve alta de 0,16%, a 97,77 pontos.

Ainda assim, a divisa norte-americana não conseguiu se firmar em alta no Brasil. “Esse ambiente global de maior cautela tem pressionado moedas emergentes de forma geral. No Brasil, o movimento poderia ser ainda mais negativo para o real, mas o Ibovespa tem caminhado na contramão, sustentado por entrada de recursos estrangeiros na Bolsa -com destaque para bancos- o que tem limitado uma alta mais forte do dólar”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Na Bolsa, a temporada de balanços foi destaque. O Itaú Unibanco teve lucro líquido de R$ 46,8 bilhões em 2025, número 13,1% maior que o do ano anterior. Com o resultado, o banco renovou seu recorde de maior lucro de um banco brasileiro da história, em termos corrigidos pela inflação, segundo dados da Elos Ayta.

As ações do banco subiram 2%. Axxia, antiga Eletrobras, avançou 4%, e MRV liderava a coluna de ganhos (+6,6%).

Na ponta negativa, Vale e Petrobras marcaram queda de 1,4% e 3,33%, respectivamente, enquanto Braskem teve a maior queda entre as empresas do índice, a 4,55%.

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