FOLHAPRESS
O dólar e a Bolsa estão em leve alta nesta sexta-feira (23), com o mercado ainda reagindo com alívio à desescalada de tensões envolvendo a Groenlândia.
Dados dos Estados Unidos e do Japão também permeiam as decisões de investimento.
Às 11h57, a moeda norte-americana subia 0,31%, cotada a R$ 5,299. Já a Bolsa avançava 0,32%, a 176.160 pontos, a caminho de renovar o recorde histórico pela quinta vez nesta semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira que Washington e a aliança militar Otan haviam chegado a um acordo sobre o uso da ilha, mas os detalhes a respeito ainda são escassos.
Trump fala em “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana relatou que está em discussão a cessão de pequenas partes do território da Groenlândia aos EUA para instalação de bases militares.
O acordo seria modelado com base no arranjo que existe hoje entre o Reino Unido e o Chipre -Londres tem duas bases militares que ocupam 3% da área da ilha no Mediterrâneo, e o território que elas ocupam é considerado britânico. As bases foram estabelecidas no tratado que garantiu a independência do Chipre nos anos 1960, e o governo cipriota ainda hoje protesta contra sua existência, dizendo que são “um vestígio do colonialismo”.
Washington, entretanto, já possui amplo acesso militar à ilha graças a um acordo de 1951, assinado no auge da Guerra Fria. Frederiksen disse que esse documento poderá ser atualizado para acomodar novas exigências americanas -sem que a Groenlândia deixe de pertencer à Dinamarca.
A menção a um acordo entre as partes atenuou as incertezas que rondavam as mesas de operação desde o final de semana, quando Trump ameaçou impor tarifas a oito países europeus caso não tivesse o controle da ilha ártica. O movimento foi lido como um recuo do presidente diante, entre outros fatores, da reação dos mercados.
O morde-e-assopra de Trump, já conhecido pelos investidores desde a época do tarifaço no ano passado, tem fomentado diversificação de carteiras para fora dos Estados Unidos. Operadores têm buscado menos exposição à volatilidade dos mercados norte-americanos -e os emergentes têm se beneficiado dessa tendência.
O Brasil, na análise de especialistas, se destaca por características próprias. Alguns deles são o elevado diferencial de juros -a Selic está em 15% ao ano desde junho passado- e a exposição da Bolsa a commodities, como petróleo e minério de ferro. As companhias listadas também seguem a preços atrativos: mesmo com os sucessivos recordes do Ibovespa, o índice ainda roda em múltiplos abaixo da médica histórica.
“O alívio nas tensões geopolíticas incentiva a entrada do estrangeiro na Bolsa. Já imaginávamos que isso iria ocorrer em algum momento, já que a capitalização do Ibovespa é pequena. Qualquer fluxo de capital novo faz efeito, especialmente em um momento de poucas vendas”, diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.
Reflexo desse movimento de realocação e rotação para fora dos mercados norte-americanos, o fluxo de investidores estrangeiros para a B3 até a última terça-feira (20) somou R$ 8,7 bilhões em volume aportado -quase um terço da soma total de 2025, de R$ 26,87 bilhões.
Os agentes ainda repercutem a decisão de política monetária do Japão. O Banco Central manteve o juro em 0,75% e divulgou seu relatório de projeções econômicas.
“Embora a expectativa majoritária do mercado foi pela manutenção da taxa de juros, qualquer sinalização mais firme em relação à inflação e à trajetória do iene pode gerar movimentos relevantes nos mercados globais durante a abertura asiática e refletir nos ativos emergentes ao longo do dia”, diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.
O mercado também monitora dados dos Estados Unidos. “A atenção se volta para os PMIs preliminares de janeiro, divulgados no fim da manhã, e para o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, à tarde. Estes indicadores ajudam a calibrar as expectativas do mercado em relação ao crescimento econômico e ao cenário de juros, com potencial impacto direto sobre o dólar global e os fluxos para mercados emergentes”, diz Riauba.
No Brasil, a Polícia Federal cumpriu nesta manhã mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, para apurar irregularidades ligadas ao banco Master.
Os alvos de busca e apreensão são a sede do próprio Rioprevidência e endereços de pessoas relacionadas ao órgão. Uma deles é o atual presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes. Também houve buscas contra Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.