JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar está em alta nesta terça-feira (29). Às 14h10, a moeda registrava alta de 0,20%, cotada a R$ 5,236. Entre os destaques do pregão está a nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta manhã, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4%, enquanto Lula somava 47,7%.
O Ibovespa está em queda, pressionado principalmente pelas ações da CSN, que recuavam 10,18% às 14h12, cotadas a R$ 5,38. O movimento ocorre após a CSN Mineração reduzir suas projeções para o ano.
A Vale, uma das empresas de maior peso no índice, também acompanha a queda. No mesmo horário, as ações da mineradora caíam 2,29%, cotadas a R$ 69,53.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, registrava alta de 0,38%.
Leonardo Brito, economista da Olimpo Investimentos, diz que os mercados de hoje são influenciados principalmente pelo cenário macroeconômico. “A inflação ainda resistente está limitando o espaço para uma flexibilização monetária mais rápida, tanto no Brasil quanto nos EUA”, diz o especialista.
No cenário doméstico, os investidores também repercutem os novos dados de atividade e mercado de trabalho do país. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre móvel até agosto, ante 5,6% nos três meses encerrados em maio, que servem de base de comparação.
Brito diz que o dado mostra um mercado de trabalho ainda resiliente, o que é relevante para o BC (Banco Central), pois uma economia com mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo e a demanda, dificultando uma convergência mais rápida da inflação.
O indicador é o menor para o intervalo até agosto na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.
Depois de dias de alta, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, as Treasuries, abriram esta terça-feira (29) em queda, mas voltaram a subir durante a tarde. Até as 14h18, a taxa dos papéis de dez anos registrava variação máxima de 0,28%, a 5,28%. Na segunda-feira (28), o rendimento havia atingido a máxima de 5,271%.
Outro dado importante para avaliar o mercado nesta terça é o petróleo, que, às 14h21, registrava queda de 1,40%, cotado a US$ 103 o barril, aliviando parte da pressão sobre a inflação nos mercados globais.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que, para o pregão desta terça, a falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã mantém a oferta de petróleo no centro das atenções.
Ao mesmo tempo, a proximidade do primeiro turno torna a Bolsa mais sensível às pesquisas eleitorais e às perspectivas para as contas públicas.
Na segunda-feira (28), o dólar subiu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma oferta iraniana de trégua de sete dias na guerra no Oriente Médio.
“No cenário monetário internacional, a alta do petróleo dificulta uma desaceleração sustentada da inflação e mantém elevados os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. Isso reforça a possibilidade de novos aumentos de juros nos Estados Unidos, tema que será reavaliado à luz dos próximos indicadores de inflação e emprego”, diz o especialista.
Para o Brasil, a economia é impactada de duas maneiras: juros externos mais atraentes reduzem o apetite por ativos de risco, enquanto o petróleo pode dar sustentação a parte das ações do setor.
Nesta terça também foi divulgado o IGP-M, um dos principais indicadores de inflação do Brasil, calculado mensalmente pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O índice subiu 1,57% em setembro, após cair 0,22% em agosto, com pressão dos preços no atacado.
A curva de juros opera de forma mista, com queda nos vencimentos mais curtos e leve alta nos mais longos. Às 14h26, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,625%, com queda de 0,03 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,095%, com alta de 0,05 ponto percentual.
Ainda nesta terça, foi divulgado que o governo central registrou um déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto, o melhor saldo para o mês desde 2021, segundo dados do Tesouro Nacional. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o saldo negativo de R$ 94,9 bilhões é o pior desde 2024.
O resultado de agosto superou o registrado no mesmo mês em 2025, quando as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social registraram um déficit de R$ 15,54 bilhões, uma variação de 7,1% já descontada a inflação.
O saldo de R$ 13,6 bilhões ficou acima da mediana das expectativas do Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda, que previa um déficit em R$ 16 bilhões.
Em Wall Street, as Bolsas operam em queda. O Dow Jones registrava queda de 0,54%, o S&P 500 tinha queda de 0,35% e o Nasdaq tinha queda de 0,22%.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, destaca que Trump receberá hoje, na Casa Branca, os CEOs de diversas empresas ligadas à inteligência artificial, como Meta, Google, Nvidia, Anthropic e OpenAI, para discutir a regulação da tecnologia.
“A expectativa, no entanto, é de que o encontro também reforce a postura mais contrária do presidente americano a esse tipo de intervenção, já que Trump vem se posicionando contra regulações mais rígidas para o setor e chegou a classificar como uma ‘farsa’ as recentes preocupações relacionadas aos riscos da IA para a segurança da humanidade”, diz o especialista.
Dólar e Bolsa caem com novos dados de desemprego e empate entre Lula e Flávio em pesquisa
Ibovespa está em queda, pressionado principalmente pelas ações da CSN, que recuavam 10,18% às 14h12, cotadas a R$ 5,38
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas