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Economia

Dólar cai para R$ 5,36 e Bolsa tem forte alta em meio a bom humor externo

Moeda recua a R$ 5,364 e Ibovespa avança a 163.866 pontos nesta terça-feira (6)

Redação Jornal de Brasília

06/01/2026 13h22

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar está em queda nesta terça-feira (6), pegando carona no bom humor externo após o mercado digerir o impacto inicial da invasão dos Estados Unidos à Venezuela no final de semana.

Os investidores também seguem à espera de novos dados sobre as economias norte-americana e brasileira nesta semana.

Às 11h53, a moeda recuava 0,73%, cotada a R$ 5,364. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,23%, a 163.866 pontos.

A cerimônia de posse da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ajudou a dissipar parte da cautela que rondava as mesas de operação desde o ataque norte-americano a Caracas no último sábado.
Vice de Nicolás Maduro, Rodríguez declarou lealdade ao ditador e disse que prestava o juramento “com pesar”.

“Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos.”

A posse da líder interina reduz a incerteza sobre como será conduzida a política econômica da Venezuela, em especial no que diz respeito à indústria do petróleo.

“Os fluxos iniciais de busca por segurança no dólar já se dissiparam”, afirma Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury. “Não é uma grande surpresa, dada a limitada integração da Venezuela à economia global, que tem sido restringida por políticas governamentais e sanções internacionais.”

Ele ainda aponta que, para o mercado, há uma sensação geral de que a operação foi um ataque pontual e direcionado, e não o início de um conflito prolongado, especialmente ao considerar que Rodríguez não sugeriu ações militares de retaliação.

Segundo ele, a remoção do regime Maduro aponta para uma transição política gradual e, “espera-se”, pacífica, que pode levar à abertura da economia venezuelana. “A indústria petrolífera, principal motor de crescimento do país, parece estar prestes a ser reformulada pelos EUA, o que deve impulsionar a produção nos próximos anos. Mas uma ‘retomada rápida’ não está nos planos, e qualquer impacto nos preços globais do petróleo provavelmente demorará a ser sentido”, afirma Ryan.

Ainda assim, os preços do petróleo Brent, referência internacional, estão em alta pelo segundo dia seguido. Após fechar com ganhos de mais de US$ 1 por barril na segunda-feira, a commodity subia 0,57% na Bolsa de Londres nesta sessão, cotada a US$ 62,11.

No Brasil, Petrobras ensaia uma recuperação tímida após perder R$ 6,8 bilhões em valor de mercado na véspera. Os papéis preferenciais subiam 0,36%; os ordinários, 0,33%.

A avaliação de analistas e investidores é que as petroleiras brasileiras podem perder atratividade com a expectativa de novos investimentos no setor na Venezuela, além de terem que lidar com preços mais baixos da commodity, devido a um potencial crescimento da oferta.

A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global.

Com o impacto inicial do ataque já digerido pelos operadores, o foco agora se volta para divulgações de dados econômicos ao longo da semana.

O principal relatório da agenda é o payroll dos Estados Unidos, uma métrica sobre o mercado de trabalho que poderá alterar as apostas sobre a política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

Por ora, 83,9% dos investidores apostam que a decisão do banco central será de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,5% e 3,75%. Os 16,1% restantes enxergam uma nova redução como o movimento mais provável da próxima reunião, marcada para o fim de janeiro.

No Brasil, com o Congresso e parte das autoridades do Executivo ainda em recesso, os investidores não têm, por enquanto, gatilhos fortes para operar, o que mantém o dólar próximo da estabilidade ante o real e no patamar de R$ 5,40.

“Caso rompa este suporte de R$ 5,40, teremos novamente uma tendência de baixa do dólar no médio prazo”, diz o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, acrescentando que no longo prazo a divisa segue em tendência de queda.

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