FOLHAPRESS
O dólar está em queda nesta terça-feira (10), com investidores repercutindo declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim da guerra no Irã estar próximo.
Na segunda-feira, o republicano afirmou que o conflito está “praticamente encerrado” e que Washington está “muito à frente” do prazo, inicialmente estimado entre quatro e cinco semanas. Com isso, o preço do petróleo chegou a desabar mais de 10%, e índices acionários em todo o mundo operam em alta.
No Brasil, a moeda norte-americana tinha queda de 0,31%, a R$ 5,148, por volta das 13h15. A Bolsa, por outro lado, avançava 1,61%, a 183.845 pontos, com empresas ligadas ao setor energético, como Petrobras e Braskem, entre os destaques negativos.
A declaração de Trump foi vista com alívio em meio às preocupações sobre o mercado de energia.
Desde que Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã fim de fevereiro, o Oriente Médio vive um cenário de guerra regional, à medida que os ataques se espalharam por territórios vizinhos e passaram a dar sinais de que a área estratégica para o comércio de petróleo do mundo poderia estar diante de um gargalo em formação.
Na segunda, o petróleo chegou a ficar próximo de US$ 120 por barril, com países cogitando cortar a produção depois que o Irã ameaçou incendiar navios que passassem pelo estreito de Hormuz, canal por onde passam 20% de todo petróleo e gás do mundo. O estreito também é fundamental para o transporte de fertilizantes, plásticos, carnes e grãos.
Um bloqueio prolongado do estreito poderia gerar um efeito cascata na economia mundial, com repique na inflação e, por consequência, nas taxas de juros de países já avançados dos ciclos de afrouxamento.
A fala de Trump, nesse sentido, despertou alívio imediato nos mercados. Um desfecho rápido pode normalizar o tráfego pelo estreito e impedir que a disparada de preços seja profundamente sentida por consumidores em todo o mundo. O fim do conflito também permitiria que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar retomassem a produção de petróleo paralisada.
O barril do petróleo Brent, em resposta, viveu uma das sessões de maior volatilidade de sua história. O barril chegou a alcançar o pico de US$ 119,46 pela manhã, perdeu fôlego e rondou US$ 100 à tarde, até desabar para US$ 90 após a declaração de Trump. Nesta terça, a queda era de mais de 10%, cotado a US$ 88.
“Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada para o lado positivo ontem, achamos que há uma reação exagerada para o lado negativo hoje”, avalia Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank, acrescentando que o mercado estava subestimando os riscos nesses níveis para o Brent.
specialistas em energia avaliam que a guerra no Irã já causou a maior disrupção na produção de petróleo da história e que os riscos de um efeito cascata na economia global dependem da duração do conflito.
Grandes bancos, como Barclays e JPMorgan Chase, por exemplo, afirmam que o barril pode testar a casa de US$ 120 se o conflito persistir por mais algumas semanas. Para efeito de comparação, o Brent chegou à máxima de US$ 128 logo no início da guerra da Ucrânia, em março de 2022, o maior valor desde a crise financeira de 2008 (US$ 144 no pico).
“Esses números podem parecer muito altos, especialmente considerando o pessimismo generalizado em relação às perspectivas do mercado de petróleo para este ano, mas reiteramos que os fundamentos são mais sólidos e os riscos são maiores do que no conflito entre Rússia e Ucrânia, quando vimos esses níveis se materializarem”, afirma o Barclays.
No cenário mais pessimista, o Barclays vê o Brent em torno de US$ 150 por barril antes do final do mês.
Ciente sobre as consequências da disparada do petróleo para o consumidor dos Estados Unidos, Trump também considera reduzir sanções contra a Rússia, segundo três fontes familiarizadas com o planejamento.
Países do G7 também consideram liberar estoques emergenciais de petróleo para lidar com a crise de abastecimento, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia).