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Economia

Dólar cai e Bolsa sobe com mercado de olho em dados de atividade e inflação no Brasil

Dados do IBC-Br mostraram que a economia brasileira encerrou o segundo trimestre com leve crescimento de 0,2%, apesar da retração em junho

Redação Jornal de Brasília

17/08/2026 13h01

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O dólar está em queda nesta segunda-feira (17), recuando 0,44%, a R$ 5,197. Nesta manhã, investidores monitoram os dados da economia brasileira, entre eles o IBC-Br, indicador do BC (Banco Central) considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto).

Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que a queda do dólar acompanha o movimento no exterior e é amplificada pela sequência recente de valorização da moeda americana em relação ao real. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas, registra queda de 0,16%.

Os dados do IBC-Br mostraram que a economia brasileira encerrou o segundo trimestre com leve crescimento de 0,2%, apesar da retração em junho. André Valério, economista sênior do Inter, afirma que a queda de 0,6% foi pior que a esperada.

“O índice do Banco Central sugere que o PIB avançou 0,2% no 2º trimestre de 2026, na comparação com o 1º trimestre deste ano. Nossa expectativa é que o PIB tenha variado 0,5% no 2º trimestre, acima do implícito pelo IBC, mas marcando uma notável desaceleração frente ao primeiro trimestre”, diz.

No primeiro trimestre deste ano, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a economia brasileira cresceu 1,1% em relação aos três meses anteriores. O instituto divulga os dados do PIB do segundo trimestre, de abril a junho, no dia 1º de setembro.

De acordo com Valério, o dado de junho confirma a trajetória de moderação da atividade e uma economia mais dependente do setor externo, principalmente do agronegócio e da exploração de petróleo. “O IBC implica que, sem o agro, a economia brasileira teria contraído 0,9% em junho”, afirma.

Entre os destaques, o varejo ampliado, que inclui as atividades do varejo restrito e setores como veículos, materiais de construção e atacarejo, e é uma das pesquisas utilizadas na análise da atividade econômica, contraiu 0,95% no segundo trimestre, indicando que as condições financeiras mais adversas têm sido um entrave para a dinâmica da atividade.

Às 14h20, a Bolsa operava em estabilidade, com leve queda de 0,01%, aos 166.908 pontos. Fora do Ibovespa, as ações da Casas Bahia recuavam cerca de 30%, após a empresa entrar com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. Na mínima do pregão, os papéis da varejista chegaram a cair 36%, a R$ 0,42.

O mercado repercute também os dados do IGP-10 (Índice Geral de Preços-10), que traz uma prévia da inflação de agosto. O indicador registrou queda de 0,51% no mês, após recuar 1,13% em julho, contrariando a expectativa de uma leve alta em meio à queda nos preços da energia. Com isso, o IGP-10 acumula alta de 2% em 12 meses, segundo dados da FGV (Fundação Getulio Vargas).

No Boletim Focus desta semana, analistas consultados pelo BC revisaram suas projeções para a economia brasileira em 2027, com expectativa de inflação mais alta e crescimento mais baixo.

A projeção para a alta do IPCA no próximo ano subiu para 4,24%, ante 4,22% na semana anterior. Para este ano, a estimativa permaneceu em 5,02%. O centro da meta oficial de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Para o PIB, a estimativa de crescimento em 2027 caiu pela quarta semana seguida, de 1,52% para 1,50%. Para 2026, os analistas mantiveram a projeção de expansão em 1,98%.

Não houve alterações nas projeções para a taxa básica de juros. A expectativa é de Selic a 13,75% no fim deste ano e a 12% no próximo. Atualmente, a taxa está em 14%.

Ainda no cenário doméstico, Rodrigo Moliterno, head de renda variável e sócio da Veedha Investimentos, afirma que os investidores seguem acompanhando as pesquisas eleitorais mais recentes.

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) permanecem tecnicamente empatados no segundo turno, com 47% e 44% das intenções de voto, respectivamente, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda.

O cenário ficou estável em relação à última rodada, divulgada no dia 10 de agosto, quando eles alcançaram os mesmos índices. Já na simulação de primeiro turno, o petista marcou 41% e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 36% —ambos oscilaram um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, mantendo a distância de cinco pontos percentuais.

Segundo Moliterno, independentemente de quem estiver à frente do governo, os investidores estarão atentos às propostas econômicas dos candidatos, especialmente às medidas para melhorar a situação fiscal do país.

No mercado internacional, Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que os investidores começam a semana de olho nos dados da Ásia, especialmente no PIB do segundo trimestre do Japão e nos números de produção industrial e vendas no varejo da China.

A economia do Japão desacelerou no segundo trimestre e ficou abaixo das previsões do mercado, em meio à fraqueza dos gastos das famílias e das empresas. O PIB cresceu 1,1% em termos anualizados e ficou abaixo da estimativa mediana de 2% em pesquisa da Reuters e da expansão revisada de 1,9% registrada no trimestre anterior.

“Paralelamente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio, com as negociações da guerra entre Estados Unidos e Irã estagnadas, sustentam a alta do petróleo no mercado eletrônico, pressionando as expectativas de inflação global e reforçando o cenário de cautela dos investidores”, afirma Araújo.

Às 14h23 desta segunda-feira, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 90, com alta de 1,86%.

Araújo adiciona que o principal destaque da agenda externa nesta semana será a ata da reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que será divulgada na quarta-feira (19). O documento deve ser acompanhado em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros americanos. Os balanços de grandes varejistas, como Home Depot e Walmart, também podem trazer pistas sobre o comportamento do consumo nos Estados Unidos.

As Bolsas americanas coemçaram o dia sem direção única, mas passaram a registrar queda com o mercado avaliam as tensões no Oriente Médio. Às 14h28, o S&P 500 recuava 0,26%, o Dow Jones caía 0,48% e o Nasdaq recuava 0,29%.

Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, afirma que o movimento ocorre após uma sexta-feira relativamente negativa para os mercados americanos, quando o S&P 500 caiu 0,17%. Ainda assim, o saldo da semana foi positivo, com o índice renovando suas máximas históricas.

As taxas dos DIs operam em queda acompanhando a avaliação dos investidores sobre o IBC-Br. Por volta das 14h20, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com queda de 0,04 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,730%, baixa de 0,01 ponto percentual.

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