FOLHAPRESS
O dólar está em queda nesta sexta-feira (12) em meio à expectativa de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.
No cenário doméstico, investidores digerem novos dados de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados mais cedo pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Às 12h14, a moeda norte-americana recuava 0,56%, cotada a R$ 5,070. Já a Bolsa avançava 0,31%, a 172.045 pontos.
O mercado segue embalado pelo otimismo de que um cessar-fogo definitivo na guerra do Oriente Médio finalmente está no horizonte.
Em declarações na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump cancelou ataques programados contra Teerã na quinta-feira à noite citando que “as discussões com o Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas”.
“As discussões e os pontos finais foram, tanto em conceito quanto em detalhes, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros”, escreveu ele.
Ele ainda afirmou que o documento supostamente aprovado por ambas as partes é um “ótimo acordo”, pois definia que o país persa “jamais terá uma arma nuclear”. Segundo a agência de notícias iraniana Irna, não há uma definição sobre o programa nuclear no atual documento, e as conversas sobre o tema só serão realizadas em um prazo de até 60 dias após a assinatura.
A diplomacia iraniana também esfriou as expectativas após o anúncio de Trump. “Até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
A interrupção do programa nuclear iraniano sempre foi um dos principais impasses entre os dois países, e o regime persa vinha demonstrando resistência em relação ao tema. A falta de um entendimento sobre o assunto também eleva dúvidas sobre a eficácia do suposto atual acordo.
Nesta sexta, Trump afirmou que os comentários do Irã não representam o que foi acordado. “O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre um possível acordo, não tem nenhuma relação com a verdade. Pessoas muito desonrosas para se negociar. Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL!”, escreveu o republicano no Truth Social.
A possibilidade de um cessar-fogo definitivo -ainda que envolta em camadas de desconfiança por parte dos investidores, já que o vaivém de informações conflitantes se tornou habitual- fez com que ativos de risco de valorizassem globalmente na véspera. O movimento continua nesta sexta, com Wall Street também embalada pela estreia da SpaceX na NYSE, a Bolsa de Nova York.
Após o maior IPO (oferta pública inicial de ações) da história, as ações da companhia espacial de Elon Musk só devem começar a ser negociadas no meio do pregão, já que a Bolsa está coletando ordens de compra e venda e os subscritores estão adiando a negociação até que a oferta e a demanda se equilibrem.
“Esperamos que a SpaceX registre um salto imediato nas negociações devido ao entusiasmo em torno do negócio, talvez acima de 20%”, disse Samuel Kerr, diretor global de mercados de capitais da Mergermarket. “Qualquer valor inferior me deixaria, na verdade, preocupado.”
O início das negociações servirá de teste para aferir a temperatura dos mercados sobre novas empresas listadas, em um momento em que gigantes de inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, se preparam para abrir capital.
Os índices S&P500, Nasdaq e Dow Jones registravam altas de 0,1%, 0,3% e 0,9%, respectivamente, no fim da manhã.
No Brasil, dados do IPCA são destaque. O indicador apontou que a inflação oficial do país desacelerou a 0,58% no mês passado, após marcar 0,67% em abril. Apesar da trégua, a taxa é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). Houve pressão da carestia de parte dos alimentos e da energia elétrica.
A variação de 0,58% também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.
Com os novos dados, o IPCA acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, depois de marcar 4,39% até abril, apontou o IBGE. Assim, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.
O resultado veio dentro do esperado para o contexto atual, segundo André Valério, economista sênior do Inter. “Com o preço do petróleo abaixo dos US$ 100 e flertando com os US$90, a principal fonte de pressão para a inflação passa a ser a inflação de alimentos, especialmente com a perspectiva de um acordo entre Irã e EUA que garanta a reabertura do estreito de Hormuz”, afirma ele.
A expectativa é que a inflação de alimentos continue pressionada, tendo em vista que o El Niño, fenômeno climático com potencial para provocar desastres geo-hidrológicos, já teve seu início oficialmente declarado pelos institutos metereológicos do Japão e dos EUA.
Para a reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), a projeção segue de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano.
“Para além dessa reunião o cenário fica mais difícil de prever e nossa expectativa é que o Copom decida reunião por reunião. Ainda vemos espaço para o Copom cortar 0,25 ponto por reunião até o fim do ano, levando a Selic a 13,25%, mas com um risco cada vez maior de uma pausa prematura.”