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Economia

Dólar cai e Bolsa sobe com guerra no Oriente Médio no radar

Negociações sobre cessar-fogo e reabertura do Estreito de Hormuz reduzem pressão nos mercados, enquanto petróleo recua e investidores buscam risco

Redação Jornal de Brasília

06/04/2026 13h09

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar está em queda nesta segunda-feira (6), com incertezas em torno da guerra no Oriente Médio nos holofotes.

A possibilidade de um cessar-fogo tem animado mercados globais, enquanto Estados Unidos e Irã negociam as condições de uma trégua. Durante o pregão, os preços do petróleo recuam.

Às 11h52, a moeda norte-americana caía 0,23%, cotada a R$ 5,149. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,14%.

Já a Bolsa brasileira tinha alta de 0,19%, a 188.412 pontos. Em Wall Street, os índices também avançavam na abertura.

Os Estados Unidos e o Irã negociam um plano para encerrar o conflito que já dura cinco semanas. O plano intermediado pelo Paquistão surgiu de intensos contatos durante a noite e propõe um cessar-fogo de 45 dias, seguido de negociações sobre um acordo mais amplo, disse uma fonte ciente das propostas nesta segunda.

O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato “durante toda a noite” com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, segundo a fonte.

Negociadores de ambos os lados admitem que as chances de acordo parecem baixas.

As negociações têm como pano de fundo um ultimato do presidente Donald Trump às forças iranianas. Teerã tem até as 21h de terça (7), no horário de Brasília, para aceitar as condições de uma trégua e reabrir o estratégico estreito de Hormuz -caso contrário, os Estados Unidos irão “explodir tudo”.

As ameaças do governo norte-americano estão, sobretudo, direcionadas à infraestrutura civil do país persa, como usinas de energia e pontes. Trump planeja realizar uma entrevista coletiva às 13h desta segunda, na qual deverá detalhar os próximos passos dos Estados Unidos caso o ultimato não dê resultado.

Ainda que a probabilidade de um cessar-fogo seja baixa, os investidores estão demonstrando apetite por risco globalmente e “reduzindo posições defensivas em dólar”, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

“O fluxo cambial tende a ser positivo para países emergentes, favorecido pela entrada de capital estrangeiro em busca de ativos com maior retorno.”

Uma autoridade de Teerã descartou a reabertura de Hormuz no caso de um cessar-fogo temporário
O bloqueio do estreito, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos devirados dispararem.

Com a inflação global sob pressão, o crescimento econômico antes previsto foi colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta de 3% do BC.

No Boletim Focus desta segunda, analistas ajustaram para cima as expectativas para a inflação em 2026 pela quarta semana consecutiva. As projeções para a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) agora são de 4,36% este ano e de 3,85% no próximo, de 4,31% e 3,84% respectivamente na semana anterior.

Economistas também mantiveram a projeção de R$ 5,40 para o dólar no fim deste ano e de 12,50% para a Selic, hoje em 14,75%. A expectativa é de corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica na reunião marcada para o fim do mês.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75%- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.

A XP vê o Brasil bem posicionado, “dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

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