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Economia

Dólar cai e Bolsa sobe com decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos em foco

Às 12h56, a moeda tinha perdas de 0,56%, cotada a R$ 5,060. Já a Bolsa subia 0,86%, a 171.110 pontos

Redação Jornal de Brasília

17/06/2026 13h45

dolar e bolsa

Foto: AdobeStock

FOLHAPRESS

O dólar está em queda nesta quarta-feira (17), na contramão do movimento global, com investidores à espera das decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos.

No campo geopolítico, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o acordo preliminar com o Irã não é definitivo e que pode retomar os bombardeios no Oriente Médio caso Teerã “não se comporte”.

Às 12h56, a moeda tinha perdas de 0,56%, cotada a R$ 5,060. Já a Bolsa subia 0,86%, a 171.110 pontos.

A sessão está sendo embalada pelas expectativas em torno desta “superquarta”, como é conhecida a data em que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e o Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central) brasileiro, decidem sobre suas taxas de juros.

O Fed divulga a decisão às 15h (horário de Brasília). Será a primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump após meses de duras críticas ao então presidente Jerome Powell. A expectativa é de manutenção da taxa de juros, os chamados Fed Funds, na atual banda de 3,5% e 3,75% ao ano.

As novas projeções econômicas provavelmente refletirão a crescente preocupação com a inflação alimentada pela guerra no Irã, que catapultou os preços do petróleo e, por consequência, de combustíveis e uma gama de produtos direta ou indiretamente relacionados à commodity.

A inflação segue bem acima da meta de 2% do banco central norte-americano, enquanto dados recentes indicaram uma forte criação de empregos e uma taxa de desemprego relativamente baixa, em 4,3%. Com esse contexto —e o duplo mandato do Fed em mente, que visa atingir o máximo emprego e a mínima inflação corrente—, muitos analistas preveem que a autoridade monetária retirará do comentário a expressão “ajustes adicionais”, uma referência que vinha sendo usada para indicar prováveis reduções futuras nos juros.

Warsh afirmou que não gosta de orientações futuras sobre política monetária em geral, e dados recentes levaram muitas autoridades do Fed a afirmar que, de qualquer forma, é hora de remover o “viés de afrouxamento” em favor de uma linguagem mais neutra, que permita a possibilidade de que aumentos nos juros possam ser necessários.

Atualmente, os investidores projetam que o Fed só irá mexer na taxa de juros em dezembro, com a expectativa de um anúncio de aumento de 0,25 ponto percentual.

“Esperamos um viés mais neutro”, afirmou Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JP Morgan, antes da reunião do Fed. “É possível que o comitê, sob a liderança de Warsh, faça cortes” no comunicado e elimine completamente as orientações sobre juros, seja nesta reunião ou no futuro.

Juros mais altos nos Estados Unidos costumam ser uma má notícia para investimentos ao redor do mundo.

Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá —capitaneada pelas “treasuries”, títulos do Tesouro que são balizados pelos Fed Funds— é tida como um investimento praticamente livre de risco. Quando os juros sobem, os rendimentos das treasuries acompanham, levando alguns investidores a retirar recursos de outros produtos, especialmente de mercados emergentes, para alocar nelas, um ativo seguro e de alto retorno.

“Caso essa sinalização se confirme, o mercado tende a interpretar que o ciclo de afrouxamento monetário está mais distante. Isso favorece a valorização dos títulos do Tesouro americano, fortalece o dólar globalmente e pode aumentar a pressão sobre moedas de países emergentes, incluindo o real”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex.

“Parte dos investidores já considera a possibilidade de uma alta de juros nos Estados Unidos no fim deste ano. Embora ainda não seja o cenário-base, essa hipótese está alinhada ao comportamento histórico do Fed, que costuma preparar o mercado gradualmente antes de promover mudanças efetivas em sua política monetária.”

Para o Brasil, porém, outro fator entra na conta: o diferencial de juros. Com a Selic em dois dígitos, a disparidade em relação aos Fed Funds torna atrativa a estratégia de “carry trade”, isto é, de tomar recursos em economias de taxas baixas, como a americana ou a japonesa, e aplicá-los aqui, para rentabilizar sobre essa diferença percentual.

Essa estratégia tem sido apontada por operadores como um dos principais motivos para a queda do dólar nos últimos meses.

Nesta superquarta, a expectativa é que o Copom dê continuidade ao ciclo de afrouxamento na taxa Selic e a corte em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mas o mercado vê chances dessa queda ser a última antes de uma pausa no processo de calibração da taxa básica.

A volatilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, a piora nas expectativas de inflação e os estímulos fiscais dados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornam, na avaliação dos economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, o cenário mais desafiador e podem levar o BC a endurecer o tom e aumentar a cautela nas próximas reuniões.

Desde março, quando iniciou a flexibilização dos juros, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, com dois cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. Em perspectiva histórica, outros curtos ciclos de queda ocorreram em 2002 e em 2004.

O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o estreito de Hormuz ainda é visto com ceticismo por parte dos economistas. Para Ana Madeira, economista-chefe para Brasil do Morgan Stanley, apesar da perspectiva positiva, esse evento aumenta a incerteza e não parece suficiente para sozinho guiar a decisão do Banco Central.

O banco apostava em uma série de cortes de 0,25 ponto percentual, mas revisou seu cenário na semana passada e passou a projetar uma pausa em agosto depois de uma queda derradeira de mesma intensidade. A expectativa da economista é que o Copom ajuste sua comunicação e prepare o terreno para mudanças na condução dos juros.

“O ponto mais importante será o comunicado. A expectativa é de que o BC corte, mas já prepare o terreno para uma pausa, diante da inflação resistente, atividade ainda forte e risco fiscal”, afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.

A decisão será divulgada às 18h30, após o fechamento dos mercados.

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