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Economia

Dólar cai até R$ 4,97 e Bolsa bate recorde com negociações entre EUA e Irã em foco

Expectativa de trégua no Oriente Médio impulsiona real e leva Bolsa brasileira a novos recordes intradiários

Redação Jornal de Brasília

14/04/2026 12h58

Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

FOLHAPRESS

O dólar recua nesta terça-feira (14), com investidores acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã e mais otimistas de que os países cheguem a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Às 11h31, a moeda norte-americana caía 0,33%, cotada a R$ 4,980 -na mínima da sessão, o dólar chegou a R$ 4,974. O movimento é similar ao do exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,37%, aos 97,99 pontos.

No mesmo horário, a Bolsa subia 0,43%, aos 198.856 pontos. Na máxima do pregão, chegou a 199.354 pontos, alta de 0,68% -novo recorde intradiário.

O dólar se mantém abaixo do patamar de R$ 5 pela primeira vez em dois anos. A moeda recuou para níveis inferiores a essa marca na última segunda-feira (13).

O pregão desta terça-feira segue com as negociações entre EUA e Irã no radar. Uma fonte do governo iraniano disse que os dois países devem retomar as conversas no fim desta semana, embora ainda não haja data definida.

A notícia reforça o otimismo dos investidores. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Teerã quer firmar um acordo para encerrar o conflito, que se estende desde o fim de fevereiro.

“No câmbio, o real segue demonstrando força, o que ajuda a aliviar um pouco a percepção de risco local e melhora o humor para ativos brasileiros. Esse movimento também conversa com o fluxo estrangeiro. O pregão tende a ser guiado por um equilíbrio entre o alívio cambial, pressão de juros e sensibilidade ao noticiário internacional”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

A cotação de R$ 4,997 é resultado de uma convergência de fatores que colocam o mercado brasileiro como um dos mais bem posicionados para enfrentar as turbulências globais causadas pela guerra no Irã.

A retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para países emergentes, beneficiando o real, é um deles. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou: a trégua entre os países, anunciado em 7 de abril, reduziu a aversão ao risco global e reacendeu o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.

A isso se somam o diferencial de juros com os EUA, considerado elevado, e a distância do Brasil em relação ao conflito, considerados pontos a favor.

A soma de fatores empurrou o dólar para baixo já na semana passada. Na sexta, por exemplo, a moeda testou o patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, pegando carona no otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e no custo-oportunidade de investir no Brasil.

O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana chegou a impor cautela nos mercados, com a moeda atingindo a máxima de R$ 5,039 e a Bolsa, a mínima de 196.222 pontos, na última segunda.

A tendência foi revertida à tarde, quando Trump afirmou a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou pelo governo republicano visando o cessar-fogo.

Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua após as delegações não chegarem a um acordo.

A medida foi uma resposta à cobrança de pedágio para embarcações. Em vez de reabrir a passagem, como previsto na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril de óleo transportado.

“O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã”, disseram os militares americanos, acrescentando que não impedirão a navegação de navios “que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não iranianos”.

O prazo de suspensão nuclear é considerado um dos principais impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Os EUA propuseram uma suspensão de 20 anos de toda a atividade nuclear de Teerã, enquanto o país defende uma pausa de até cinco anos.

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