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Economia

Dólar cai a R$ 5,18 após derrubada de tarifas de Trump; Bolsa ronda estabilidade

Segundo o Boletim Focus, divulgado na última quarta em virtude do feriado de Carnaval, a expectativa entre economistas consultados é de que a moeda americana encerre 2026 em R$ 5,50

Redação Jornal de Brasília

20/02/2026 13h37

Foto: Roslan Rahman/AFP

Foto: Roslan Rahman/AFP

FOLHAPRESS

O dólar ampliou a queda e a Bolsa passou a rondar a estabilidade nesta sexta-feira (20), após a Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas globais impostas por Donald Trump.

O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, inverteu o sinal e passou a cair depois da decisão. Às 13h18, recuava 0,11%.

No mesmo horário, o dólar caía 0,86%, cotado a R$ 5,182—a caminho de fechar em nova mínima de dois anos. A Bolsa, por sua vez, rondava a estabilidade, com queda de 0,05%, aos 188.443 pontos, na contramão do movimento da manhã, quando chegou a cair 0,97%.

No começo da tarde desta sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump contra diversos países são ilegais. A decisão foi tomada por seis votos a três.

O julgamento tem como pano de fundo um debate jurídico iniciado em novembro do ano passado, quando os juízes ouviram argumentos sobre a legalidade das tarifas. Trump se apoiou na IEEPA —Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional— para aplicar as sobretaxas a todos os países sem aprovação do Congresso.

Na ocasião, tanto juízes conservadores quanto liberais questionaram se a lei de 1977, criada para situações de emergência, de fato concede ao presidente esse poder.

A derrota representa um duro golpe econômico e político a uma das iniciativas mais emblemáticas do segundo mandato de Trump. Além de perder capital político, os EUA podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões (R$ 912 bilhões) em arrecadação tarifária, segundo cálculo de economistas do Penn-Wharton Budget Model a pedido da Reuters.

Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que, para países emergentes, a decisão reduz o risco de retaliações em cadeia. “Favorece fluxos para ativos de risco, como o Ibovespa, ao melhorar o apetite global por commodities e moedas locais em um cenário de dólar mais fraco.”

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os mercados reagem de forma positiva, diante da menor incerteza jurídica e da redução de custos para as companhias listadas. “As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento [de empresas] —e removê-las pode melhorar a produtividade.”

A divulgação de dados econômicos dos EUA também está no foco do pregão. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no último trimestre, informou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira (20). Economistas consultados pela Reuters previam uma expansão de 3,0%.

Em contrapartida, o núcleo da inflação nos Estados Unidos acelerou mais do que o esperado em dezembro. O índice PCE, métrica de inflação favorita do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), subiu 0,4% em dezembro, ante uma previsão de alta de 0,3%.

Nos 12 meses até dezembro, o núcleo do índice avançou 3,0%, de 2,8% em novembro.

“O PIB americano cresceu abaixo do esperado, sinalizando um enfraquecimento da economia, em parte influenciado pelas paralisações do governo. Esse cenário contribuiu para o enfraquecimento do dólar e para a melhora no fluxo de capital para países emergentes”, diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o cenário permanece complexo para o Federal Reserve diante dos dados do PCE. “A persistência inflacionária, acima da meta de 2%, limita a capacidade do Fed de reduzir as taxas de juros para estimular a atividade econômica de forma imediata”.

Na última reunião, em janeiro, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75%.

No exterior, o foco também permanece sobre o aumento nas tensões entre EUA e Irã. Apesar dos relatos de progresso nas negociações para evitar uma nova guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos aceleraram nesta semana a mobilização militar ofensiva em preparação para atacar o Irã.

Na quinta-feira (19), os preços do petróleo tiveram alta de mais de 2% com o aumento das tensões. Na quarta (18), a commodity chegou a subir 4%.

No Brasil, a agenda é esvaziada de indicadores. O destaque fica para dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) do BC (Banco Central) no valor total de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 3 de março. As recompras pelo BC serão em 2 de junho e 2 de julho.

Os leilões são intervenções do BC (Banco Central) no câmbio. Na prática, eles servem para aumentar a quantidade de dólares disponíveis para os investidores, seguindo a lei da oferta e demanda. Ou seja, quanto mais moeda puder ser comprada, menor vai ser a cotação dela.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na última quarta em virtude do feriado de Carnaval, a expectativa entre economistas consultados é de que a moeda americana encerre 2026 em R$ 5,50.

“Esta é a projeção, mas há expectativa de volatilidade no curto prazo dependendo de indicadores externos e fluxos de capitais, além do ‘trade eleitoral’ que deve ficar mais evidente a partir de março”, afirma Marcio Riauba, head da Mesa de Operações da StoneX.

Nos últimos meses, o Brasil tem se beneficiado de um fluxo de investidores estrangeiros no mercado brasileiro. O comportamento impacta tanto o dólar quanto a Bolsa de Valores Brasileira.

A entrada de investidores estrangeiros no país deriva de um movimento de diversificação de carteiras em escala global, reflexo, entre outros fatores, dos temores instalados pela condução geopolítica do governo Donald Trump.

A manutenção dos juros brasileiros a 15% —o maior em quase duas décadas— também beneficia o fluxo de capital e preserva a atratividade das operações de carry trade.

Quanto maior o diferencial entre os juros brasileiros e os norte-americanos, maior tende a ser a rentabilidade potencial da estratégia conhecida como carry trade. Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros.

Assim, quanto mais favorável esse diferencial, maior tende a ser o fluxo de dólares para o país, o que contribui para a valorização do real.

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