Willian Matos
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Em meio à aversão ao risco ligada à disputa EUA-China e às perspectivas de que o presidente argentino, Mauricio Macri, não conseguirá se reeleger nas eleições de outubro, o dólar opera em alta nesta segunda-feira (12). Às 10h45, a moeda subia 1,8%, vendida a R$ 4,0107. Bateu R$ 4,0127 na máxima do dia.
Foi a quarta alta semanal consecutiva. Na sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,33%, a R$ 3,9399. Na semana passada, teve alta de 1,25%.No ano, a moeda norte-americana tem alta acumulada de 1,70%.
Possível derrota de Macri
Um novo fator contribuía para o sentimento de aversão ao risco, mais especificamente sobre as emergentes, após eleições primárias na Argentina no fim de semana apontarem para uma derrota da chapa do atual presidente, Mauricio Macri.
A coalizão que apoia o candidato de oposição Alberto Fernández –cuja companheira de chapa é a ex-presidente Cristina Kirchner– liderava com 47,3% dos votos, uma vantagem de 15 pontos percentuais, com 88% das urnas apuradas.
Argentinos rejeitaram com ênfase as políticas econômicas austeras de Macri nas eleições primárias de domingo, colocando em grandes dificuldades as chances de reeleição em outubro, mostraram resultados oficiais iniciais.
Cenário externo
Acompanhando o movimento global, as negociações locais de câmbio iniciavam a semana em meio à aversão ao risco, ainda em função da guerra comercial entre Estados Unidos e China, mais notadamente por temores de que a demora em encontrar uma solução para a disputa, somado a um Brexit sem acordo, possam levar as principais economias para uma recessão.
“Essa falta de novidade em relação à tratativa comercial está deixando investidores muito apreensivos. Não sabemos quanto tempo isso vai durar, há preocupação de que essa guerra comercial possa se prolongar e isso está assustando um pouco os investidores”, afirmou à Reuters a economista da CM Capital Markets, Camila Abdelmalack, acrescentando que isso poderá implicar em revisões às projeções de crescimento das principais economias do mundo.
Ibovespa abre em queda de 2%
O Ibovespa absorve o mau humor externo na abertura da sessão desta segunda-feira, 12, e perde mais de 2.000 pontos, operando no nível dos 101 mil pontos. O mercado acionário local é influenciado amplamente por um noticiário negativo global em um contexto já delicado de continuidade da guerra comercial e, por consequência, redução do crescimento mundial.
Pesam bastante por aqui notícias negativas da vizinha Argentina, cujas American Depositary Receipts (ADRs) de suas companhias negociadas no mercado de Nova York derretem.
Nesta última hora, o fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) argentino Global X MSCI Argentina ETF operava em baixa de mais de 20% nos negócios do pré-mercado em NY em razão da derrota do presidente da Argentina, Mauricio Macri, nas primárias.
O movimento ocorre um dia após a chapa de Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, ter conquistado 47,34% dos votos, enquanto a coalizão do atual presidente, Mauricio Macri, aparecia com 32,25% do total nas eleições primárias do país.
Se o resultado se repetir em outubro, com os ‘kirchneristas’ acima da marca de 45% dos votos, a oposição levará o pleito já no primeiro turno.
Além disso, seguem no radar o jogo de forças entre Estados Unidos e China. Por um lado, o presidente americano mantém seu discurso contra o país asiático, e, em contrapartida, Pequim revida mostrando do que sua artilharia: desvalorizar o yuan com poder de levar o dólar para a valorização, exatamente o contrário do que Trump quer.
Nesta segunda-feira, o Banco do Povo da China (PBoC) fixou o câmbio a 7,0211 yuans por dólar, a terceira alta seguida acima do patamar de 7,00. Já na Europa, investidores estão ressabiados com novos sinais de colapso da coalizão governista na Itália.
“Os mercados seguirão repercutindo o problema da guerra comercial entre EUA e China. Essa é uma coisa que vai se arrastar até o ano que vem, pois Trump vai usar plataforma de briga para se eleger”, avalia um operador.
No Brasil, mais cedo, os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostram que a economia brasileira teve nova alta em junho deste ano, com avanço de 0,30% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal. Foi a segunda elevação registrada no governo de Jair Bolsonaro. Na comparação entre os meses de junho de 2019 e junho de 2018, houve baixa de 1,75% na série sem ajustes sazonais.
Já os economistas ouvidos na pesquisa Focus indicaram redução da taxa básica de juros para 5% no final deste ano ao passo que também baixaram a projeção para a inflação medida pelo IPCA de 3,80% para 3,76%. Com agências