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Economia

Dólar abre próximo da estabilidade com intensificação de ataques no Oriente Médio e expectativa sobre juros no Brasil e EUA

Os iranianos bombardearam Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrain, Qatar, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, enquanto EUA e Israel atacavam várias regiões do Irã e do Líbano

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 11h53

Foto: AFP

Foto: AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu perto da estabilidade nesta quarta-feira (18), com os investidores atentos com o agravamento do confronto no Oriente Médio, com o Irã atacando diversos países da região em represália à morte do homem-forte do regime, Ali Larijani.

Os iranianos bombardearam Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrain, Qatar, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, enquanto EUA e Israel atacavam várias regiões do Irã e do Líbano.

Os analistas também aguardam o anúncio dos juros no Brasil e EUA, com a expectativa que o primeiro deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, e o segundo deve manter a taxa entre 3,5% e 3,75%.

Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,02%, cotada a R$ 5,1993. Na terça, o dólar caiu 0,58%, cotado a R$ 5,199, e a Bolsa avançou 0,29%, a 180.409 pontos.

Investidores seguiram atentos aos novos desdobramentos da guerra do Irã. Nesta madrugada, Israel afirmou ter matado Ali Larijani, chefe de segurança do país persa considerado o principal operador do regime. Teerã ainda não se pronunciou.

Larijani, atacado nesta madrugada, é a figura mais importante a ser alvejada por Israel desde o primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, quando as ofensivas conjuntas lançadas com os Estados Unidos mataram Ali Khamenei, que comandava o Irã havia 37 anos.

Enquanto isso, as forças iranianas voltaram a atacar aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. O terceiro ataque em quatro dias no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, levou à interrupção do carregamento de petróleo no terminal. Operações no campo de gás Shah também seguem suspensas.

Os outros centros de exportação dos Emirados Árabes Unidos estão localizados no Golfo, que foi efetivamente isolado do mundo pelo estrangulamento do Estreito de Hormuz, uma via marítima estreita entre o Irã e Omã por onde normalmente fluía um quinto do suprimento mundial de petróleo.

As interrupções em cascata ameaçam bloquear completamente o canal remanescente de exportação de petróleo bruto na região. Fujairah, que fica fora do Estreito de Hormuz e normalmente é a saída para mais de 1 milhão de barris por dia do petróleo bruto Murban da empresa estatal árabe, ainda está operando, mas com capacidade reduzida.

Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro maior produtor da Opep. Desde o início da guerra, a produção diária por lá caiu em mais da metade, já que o fechamento do Estreito de Hormuz forçou a gigante estatal Adnoc a interromper operações.

O preço do petróleo Brent, referência mundial, chegou a ficar próximo de US$ 105 na madrugada desta terça. No final da tarde, tinha alta de 3,5%, cotado a US$ 103,75. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava a US$ 96, em valorização de 3%.

Apesar da escalada, o apetite por risco prevaleceu, e o dólar enfrentou uma sessão de desvalorização global. O índice DXY, que mede a força da moeda ante uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,12%, a 99,59 pontos.

“O real é uma das moedas latinas que melhor tem resistido à turbulência que os mercados emergentes vêm enfrentando nas últimas semanas”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.

“Como exportador de petróleo, o Brasil deve ser capaz de absorver melhor um eventual aumento da inflação decorrente do conflito no Oriente Médio.”

As tensões no Oriente Médio têm afetado as previsões de política monetária dos bancos centrais. O mercado já estima que o Fed manterá o patamar atual de juros, na faixa de 3,5% e 3,75%, até julho.

“O petróleo mais caro tende a pressionar as expectativas de inflação global, principalmente em economias desenvolvidas, o que pode reduzir o espaço para cortes de juros mais rápidos pelo Fed”, diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

As chances de manutenção na reunião desta quarta-feira são de 99,2%, segundo a ferramenta FedWatch.

Em relação ao Copom, por outro lado, não há consenso entre os operadores. Bancos que projetavam um corte de 0,5 ponto percentual neste encontro passaram a prever juros estáveis, em 15% ao ano, ou uma redução mais modesta, de 0,25 ponto percentual, diante da escalada dos preços do petróleo.

A maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa Selic em 15%, com expectativa de uma “abordagem mais cautelosa” pelo colegiado. “O fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação”, afirma a XP em nota assinada pelo economista-chefe, Caio Megale.

Na avaliação do BNP Paribas, o Copom poderia “até mesmo adiar o início do ciclo de afrouxamento para a reunião de abril, quando as autoridades presumivelmente teriam mais clareza tanto sobre a atividade doméstica quanto sobre a geopolítica”.

Entre 27 instituições consultadas pela Bloomberg, 10 apostam em corte para 14,5% ao ano (o consenso antes da guerra), 16 preveem redução para 14,75% e uma a manutenção em 15%.

“Essa mudança tende a ser positiva para o real, pois sugere juros mais elevados por mais tempo, o que favorece os rendimentos dos títulos do Tesouro Nacional e contribui para sustentar a moeda”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex.

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