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Economia

Dólar abre próximo da estabilidade à espera de decisão do Fed

Por volta das 9h40, a moeda norte-americana caía 0,05%, cotada a R$ 5,119. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, rondava a estabilidade, com alta de 0,05%

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 12h17

Foto: Justin Sullivan/AFP

Foto: Justin Sullivan/AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu estável nesta quarta-feira (29), enquantos investidores seguem à espera das decisões de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

Por volta das 9h40, a moeda norte-americana caía 0,05%, cotada a R$ 5,119. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, rondava a estabilidade, com alta de 0,05%.

Na véspera, a moeda fechou em leve alta, cotado a R$ 5,121, enquanto a Bolsa fechou em alta de 0,7%, aos 176.564 pontos.

Segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário mais provável para a decisão desta quarta é a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com 71% de probabilidade. Outros 29% do mercado apostam em uma alta de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4%.

Segundo Vitor Kayo, economista-sênior da Nomad, mesmo que a manutenção seja o desfecho mais esperado, o mercado estará atento a três pontos.

O primeiro é uma eventual mudança no tom do comunicado em relação ao divulgado na reunião anterior, que reforçou o compromisso do Fed em levar a inflação de volta à meta, mesmo em um cenário de incertezas e de pressões inflacionárias provocadas pela alta dos preços da energia em meio ao conflito no Oriente Médio, pela forte demanda por investimentos ligados à inteligência artificial e pelos efeitos das tarifas comerciais.

O segundo ponto é a possibilidade de divergências entre os membros do comitê sobre a condução da política monetária. O terceiro é o tom adotado por Kevin Warsh, presidente do Fed, na coletiva de imprensa, já que um discurso mais duro no combate à inflação pode reforçar a percepção de que uma alta dos juros está próxima, ainda que não ocorra nesta reunião.

O mercado também repercute a alta do petróleo durante o pregão, após novas ofensivas do Irã aos EUA no Oriente Médio.
Por volta das 10h20, o preço do barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 6,71%, a US$ 89,72.

No Brasil, as atenções dos investidores se voltaram, na última terça-feira (28), principalmente para o IPCA-15, que desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho, segundo dados divulgados pelo IBGE

O resultado surpreendeu o mercado ao ficar bem abaixo da mediana das projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de 0,22%. A taxa de 0,06% ficou, inclusive, abaixo do piso das estimativas, de 0,15%.

A principal contribuição para a desaceleração veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,66% no mês.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 desacelerou para 4,52%, ante 4,8% registrados até junho.
Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, afirma que os resultados reforçam os sinais de desaceleração da inflação, mas ainda exige cautela em relação ao comportamento dos preços de serviços.

Segundo ele, parte da queda observada nos alimentos pode ser revertida no fim do ano, a depender dos impactos do El Niño, enquanto os serviços podem voltar a acelerar com a entrada de estímulos fiscais na economia em um ano eleitoral.

O especialista acrescenta que o IPCA-15 segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A divulgação dos dados ocorre uma semana antes da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. No encontro, o colegiado decidirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

O conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo também permaneceram no radar do mercado, que segue atento a possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

No último fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu os ataques pontuais ao Irã após ser alertado pela cúpula militar americana de que a campanha não estava surtindo efeito. Apesar disso, o governo iraniano rejeitou, na segunda-feira (27), retomar as negociações de paz.

No final de terça, o barril de petróleo era negociado a US$ 83,76, com queda de 5,21%.

Além disso, a Casa Branca recebeu o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e, na sequência, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em reuniões separadas com Trump, em meio às discussões sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

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