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Economia

Dólar abre perto da estabilidade com investidores atentos ao acirramento da guerra no Irã

Redação Jornal de Brasília

08/07/2026 11h29

dolar e bolsa

Foto: Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu perto da estabilidade nesta quarta-feira (8) com os investidores acompanhando o acirramento do conflito no Oriente Médio com novos ataques entre EUA e Irã, envolvendo também aliados dos norte-americanos na região.

A situação levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a afirmar que o acordo de cessar-fogo “acabou”, que foi seguido de uma série de bombardeios das forças militares do país ao território iraniano. Um dia antes, navios-tanques foram atacados no golfo Pérsico.

A consequência foi a disparada do preço do petróleo, que chegou a subir 6,85% nesta manhã de quarta-feira, a US$ 79,24, maior valor desde 17 de junho. Às 9h13, a moeda norte-americana subia 0,04%, cotada a R$ 5,1561. Na terça, o dólar fechou em alta de 0,39%, a R$ 5,151, e a Bolsa caiu 0,24%, a 172.020 pontos.

Investidores se mantiveram atentos às tensões no Oriente Médio. Os Estados Unidos revogaram a licença-geral que autorizava a venda de petróleo iraniano após ataques a três petroleiros no Estreito de Hormuz. Não houve comentário imediato de Teerã, nem qualquer reivindicação de responsabilidade pelos navios atacados.

Os preços do petróleo subiram mais de 5% após o anúncio, com o Brent, referência internacional, cotado a US$ 75 no final da tarde. O cenário inspirou aversão ao risco e temores de retomada das tensões militares —o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã na segunda-feira.

“Ou vamos chegar a um acordo ou vamos terminar o serviço. E não será difícil terminar o serviço. Prefiro chegar a um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.

“Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos cortar o abastecimento de energia deles… Eles não têm dinheiro agora. Não lhes demos nenhum dinheiro.”

A revogação da licença de comercialização foi confirmada por uma autoridade norte-americana, falando em condição de anonimato. Ela afirmou que as supostas ações do Irã em Hormuz eram inaceitáveis e teriam consequências.

Por outro lado, a autoridade reforçou que negociadores continuam trabalhando para chegar a um acordo final com o Irã, apesar da recente escalada de tensões.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, chamou a ameaça de Trump de “delirante”.

“Os iranianos não estão acostumados com a linguagem das ameaças. Portanto, fale com o povo iraniano com respeito; caso contrário, responderemos em outra linguagem”, disse Zolqadr em declarações divulgadas pela mídia estatal.

Em meio às tensões, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir para US$ 75; o WTI (West Texas Intermediate), para US$ 71,90.

As ações das petroleiras na Bolsa brasileira acompanharam a commodity. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras avançaram 1,8% e 2,6%, enquanto Prio e Petrorecôncavo subiram 5% e 1,37%, respectivamente.

As negociações entre os dois países terminaram na semana passada sem qualquer sinal público de avanço. O cessar-fogo de 60 dias, apesar disso, segue em vigor, abrindo espaço para a diplomacia após os ataques que desencadearam o conflito.

A aversão ao risco se intensificou com preocupações sobre o setor global de tecnologia. Investidores questionam o ímpeto da alta impulsionada pela inteligência artificial apesar dos resultados sólidos da Samsung, enquanto uma notícia de que a chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA também afetou o sentimento geral em Wall Street.

A companhia sul-coreana divulgou que as receitas cresceram 70% em relação ao ano passado e que o lucro saltou 1.800% na mesma comparação. “Ainda assim, os investidores parecem preocupados com o volume de investimentos, possivelmente excessivo, nas tecnologias relacionadas à inteligência artificial”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Ele afirma que os investidores seguem otimistas com as possibilidades de as novas tecnologias gerarem ganhos de produtividade e impulsionarem o crescimento econômico mundial. “Mas esse crescimento foi tão explosivo, tão rápido e tão intenso que, em alguns momentos, surgem preocupações com a possibilidade de uma bolha”, diz ele.

O temor é que os investimentos nas tecnologias de inteligência artificial estejam crescendo a um ritmo maior do que a demanda. Se o mercado não conseguir absorver tudo que tem sido produzido, existe o risco de que os aportes não sejam rentáveis —em outras palavras, que as empresas enfrentem prejuízos por excesso de investimento.

Ainda, segundo três fontes com conhecimento do assunto, a startup chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA, uma iniciativa que pode reduzir sua dependência dos produtos da Nvdia e da Huawei.

“De tempos em tempos, vemos os mercados financeiros globais e os investidores se mostrarem mais preocupados com a possibilidade de dificuldades futuras de rentabilidade. Esse pessimismo acaba pressionando as ações de tecnologia e piorando o apetite global por risco”, diz Mattos.

No Brasil, parte das atenções ainda esteve voltada às discussões nos EUA sobre a tarifação de produtos brasileiros. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em audiência em Washington para tratar do assunto, defendeu o Pix e argumentou contra o momento escolhido para a imposição das tarifas, segundo reportagem da Reuters.

Flávio busca persuadir o governo Trump a adiar a tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros para até depois das eleições de outubro. Em junho, pouco depois de Flávio ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais e práticas desleais.

A sequência de eventos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, a acusar o senador de ter ajudado a desencadear a medida —acusação que Flávio nega.

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