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Economia

Dólar abre em queda com tensão no Irã no radar dos investidores

Uma nova troca de ataques entre os dois países mantém os mercados sob pressão

Lis Barbosa

21/07/2026 11h51

dolar e bolsa

Foto: Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em queda nesta terça-feira (21), com investidores acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e os sinais de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Às 9h47, a moeda norte-americana caía 0,35%, cotada a R$ 5,070.

Uma nova troca de ataques entre os dois países mantém os mercados sob pressão. Por outro lado, a perspectiva de mediação e de retomada das negociações ajuda a reduzir a aversão ao risco. Na manhã desta terça, o petróleo Brent subia 1,79%, negociado a US$ 90 por barril.

Na segunda-feira (20), o dólar fechou em queda, cotado a R$ 5,088. A Bolsa brasileira também recuou e encerrou a sessão em baixa de 0,19%, aos 173.371 pontos, após oscilar ao longo do pregão.

A agenda econômica desta semana é mais esvaziada. Com isso, o dólar deve reagir principalmente ao noticiário político e à entrada em vigor da tarifa americana sobre produtos brasileiros, prevista para quarta-feira (22).

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou na última segunda que atingiu alvos militares americanos em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios dos EUA contra cidades iranianas.

A segunda foi nono dia consecutivo de ataques. As ofensivas dos dois países encerraram o cessar-fogo firmado no mês passado, que havia proporcionado um alívio temporário aos mercados após acusações mútuas relacionadas ao controle iraniano sobre o Estreito de Hormuz.

A nova fase da guerra deslocou o foco para a via marítima, responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. O fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã e os ataques a navios petroleiros reacenderam a pressão sobre os preços da commodity, que chegou a cair para US$ 70 o barril após o cessar-fogo e voltou ao patamar de US$ 90 no fim de semana.

Tanto os EUA quanto o Irã sinalizaram que estariam dispostos a retomar as negociações para chegar a uma trégua definitiva.

Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta que prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.

O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que “se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta”. No entanto, acrescentou que o “comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude”.

Apesar dos sinais de retomada das negociações, a guerra segue se expandindo. Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram que impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita. A medida abre uma nova frente no conflito e amplia os riscos para o abastecimento global de energia para além da região do Golfo

No Brasil, os investidores acompanharam o Boletim Focus, que mostrou que economistas reduziram a previsão da inflação neste ano pela terceira semana consecutiva, mas em um ritmo menor do que nos levantamentos anteriores.

Analistas ouvidos pelo BC (Banco Central) esperam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) termine 2026 a 5,15%, apenas 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. No último levantamento, a queda havia sido de 0,14 ponto percentual.

Mesmo com a diminuição, a previsão da inflação ainda segue acima do limite da meta, que é de 3% com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para a taxa Selic, a previsão para dezembro segue em 14% ao ano —apenas 0,25 ponto percentual abaixo do atual patamar, de 14,25% ao ano.

Os investidores também seguem atentos às bolsas americanas. Na última sessão, a recuperação das ações de empresas de chips e semicondutores amenizou parte das perdas recentes, mas não foi suficiente para impulsionar os principais índices.

As atenções também estão voltadas para a temporada de balanços nos Estados Unidos, com resultados de empresas como Alphabet, Tesla, IBM e Intel, que devem ditar o rumo dos mercados nos próximos dias.

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