SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar abriu em leve queda nesta segunda-feira (9) com os investidores à espera da participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos), nesta manhã.
Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,2%, cotada a R$ 5,2090. Na sexta-feira (6), o dólar fechou em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,219, e a Bolsa avançou 0,45%, a 182.949 pontos.
No Brasil, operadores avaliaram a possível indicação de Guilherme Mello ao BC ( Banco Central) e novas projeções econômicas divulgadas nesta manhã pelo Ministério da Fazenda. Lá fora, a possibilidade de um acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Irã e dados de emprego norte-americanos rondaram as mesas de operação.
Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Mello disse estar feliz com a confiança do ministro Fernando Haddad (Fazenda) pela indicação de seu nome ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a diretoria do BC e se colocou à disposição para a função.
Segundo ele, ainda não houve um convite formal do chefe do Executivo.
“Fico lisonjeado pela lembrança do meu nome, muito feliz com a confiança do ministro em indicar meu nome, no entanto, não recebi nenhum convite. Estou aqui trabalhando normalmente com minha equipe no Ministério da Fazenda”, afirmou.
A Reuters publicou que o presidente Lula deve confirmar os nomes de Mello e de Tiago Cavalcanti, economista e professor da Universidade de Cambridge, para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução da autoridade monetária.
Ambos os nomes foram sugeridos por Haddad, e as indicações foram mal recebidas pelos investidores. Os temores são de desequilíbrio na composição da diretoria do BC, com predominância de perfis mais acadêmicos e menos experientes em política monetária, com pouca interlocução com o mercado financeiro.
Mello, além disso, tem forte ligação com o PT e participou da formulação do plano econômico do governo Lula. Sua eventual indicação, se confirmada, é vista pelo mercado como um sinal de maior influência do partido no Banco Central.
“Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela. Isso costuma aparecer na forma de juros mais altos nos prazos longos, pois o mercado passa a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo”, diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.
Ainda, a secretaria de Política Econômica revisou ligeiramente para baixo a projeção para o crescimento econômico em 2026 e ajustou para cima a estimativa para a inflação ao consumidor no ano.
A pasta projetou a alta do PIB em 2,3%, abaixo dos 2,4% estimados em novembro. A pasta ainda elevou de 2,2% para 2,3% a previsão de crescimento da atividade em 2025, dado que será oficializado pelo IBGE em março. Com relação à inflação, a secretaria estimou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechará 2026 em 3,6%, ante 3,5%.
Também foi destaque no Brasil o balanço do Bradesco, que divulgou lucro líquido recorrente de R$ 6,516 bilhões no quarto trimestre, em linha com as estimativas. O banco, no entanto, trouxe projeções abaixo das expectativas, derrubando as ações em mais de 2% e, por consequência, pressionando o Ibovespa para baixo.
Ainda assim, o resultado foi considerado robusto por analistas, com lucro recorrente acima do ano anterior, em sinal de recuperação gradual da rentabilidade da instituição financeira.
Na ponta internacional, a possibilidade de um acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos também foi monitorada de perto pelo mercado.
Delegações de ambos os países se reuniram de forma indireta nesta sexta em Mascate, capital de Omã.
Não houve nenhum avanço significativo, mas os operadores estão atentos a um desenrolar positivo nas negociações.
Outro destaque do noticiário foi a forte liquidação de ações do setor de tecnologia em Wall Street na semana passada. Apesar dos índices acionários terem tido forte alta em recuperação dos dias anteriores, a Amazon acirrou temores de uma bolha de inteligência artificial em formação nos mercados após divulgar aumento de gastos com infraestrutura para IA. As ações caíram mais de 5%.
Além disso, dados de emprego dos Estados Unidos nesta semana “alimentaram expectativas de uma postura menos dura do Federal Reserve” nas próximas decisões de juros, o que ajudou a enfraquecer o dólar globalmente, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Os olhos se voltam agora para o payroll, relatório oficial de empregos nos Estados Unidos previsto para quarta-feira (11).