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Economia

Dólar abre em leve queda em dia de ‘superquarta’ e inflação de volta ao teto da meta

Além disso, o mercado acompanha as movimentações políticas em Brasília após a Câmara ter aprovado projeto que reduz as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023

Redação Jornal de Brasília

10/12/2025 11h19

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em leve queda nesta quarta-feira (10) com os investidores à espera do anúncio das novas taxas de juros no Brasil e nos EUA.

Além disso, o mercado acompanha as movimentações políticas em Brasília após a Câmara ter aprovado projeto que reduz as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Os analistas também repercutem os dados da inflação, que apontou a menor taxa desde 2018 com 0,18% em novembro. No recorte dos 12 meses, a inflação acumulada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 4,46% e voltou a ficar abaixo do teto de 4,5% da meta perseguida pelo BC (Banco Central), o que não acontecia desde setembro de 2024.

Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,29%, cotada a R$ 5,4254. Na terça-feira (9), o dólar fechou em alta de 0,31%, cotado a R$ 5,437, e a Bolsa recuou 0,13%, a 157.981 pontos.
Investidores monitoraram os desdobramentos da entrada de Flávio Bolsonaro na corrida pela Presidência em 2026. Na segunda, o senador afirmou à Folha de S.Paulo que sua candidatura é “irreversível”.

“Minha candidatura não está à venda. A condição para isso é o presidente Bolsonaro livre e nas urnas. A única possibilidade de o Flávio Bolsonaro não ser candidato é o candidato ser o Jair Messias Bolsonaro. Não tenho preço”, afirmou.

O senador anunciou na sexta-feira sua candidatura à Presidência em 2026, notícia que inspirou forte volatilidade para os ativos domésticos e levou à retirada de cerca de R$ 1,7 bilhão da B3 por parte de investidores estrangeiros.

A leitura do mercado é de que, com o apoio de Bolsonaro ao filho mais velho, uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome favorito da Faria Lima para a disputa, perderia força e favoreceria uma reeleição do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja política fiscal desagrada grande parte do mercado.

“Acredita-se que uma reeleição do governo Lula significaria um cenário de maior expansão fiscal por mais quatro anos, o que pressionaria a inflação e manteria juros mais elevados”, aponta Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Com o cenário eleitoral incerto, o mercado adota cautela. O dólar chegou à máxima de R$ 5,495 nesta sessão, mas desacelerou ganhos à tarde quando discussões em Brasília para votação do PL da Dosimetria ganharam tração. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o projeto —que trata das penas dos condenados por tentativa de golpe e pode reduzir o tempo de prisão de Bolsonaro em regime fechado para 2 anos e 4 meses— será votado na Casa.

O efeito também foi sentido na Bolsa, que reverteu perdas e passou a rodar no positivo até fechar no vermelho. Na mínima, foi a 155.187 pontos; na máxima, a 158.851 pontos.
Uma das interpretações no mercado é a de que, se o projeto for aprovado, crescem as chances de Flávio desistir da candidatura, colocando novamente na disputa o nome de Tarcísio.

No cenário internacional, operadores repercutiram dados de emprego dos Estados Unidos medidos pelo Jolts.

As vagas em aberto, uma medida da demanda por mão de obra, aumentaram em 12 mil e chegaram a 7,67 milhões em outubro, mês marcado pelo “shutdown” do governo norte-americano que paralisou a divulgação de estatísticas oficiais da economia americana. Economistas consultados pela Reuters previam 7,15 milhões de vagas não preenchidas. Já as contratações caíram em 218 mil, para 5,149 milhões.

O relatório também incorporou a leitura de setembro. Naquele mês, havia 7,658 milhões de vagas em aberto e as contratações foram de 5,367 milhões.

Por serem defasados, os dados não devem pautar a decisão do Fed desta quarta-feira. No entanto, reforçam a percepção de que o mercado de trabalho permaneceu no que os economistas e as autoridades chamam de “sem contratações, sem demissões”.

Essa estagnação motivou dois cortes de juros pelo Fed neste ano, e a previsão do mercado é que justifique mais uma redução de 0,25 ponto percentual nesta semana, levando a taxa para a banda de 3,50% a 3,75%. A probabilidade desse afrouxamento acontecer é de 87,4%, segundo a ferramenta FedWatch, enquanto os 12,6% restantes apostam em uma manutenção do atual patamar.

A decisão será divulgada às 16h (horário de Brasília) de quarta-feira. Às 18h30, será a vez do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC brasileiro divulgar a definição sobre a taxa Selic.

Aqui, a previsão é que os juros encerrem o ano parados em 15% e que o Copom (Comitê de Política Monetária) flexibilize o discurso, abrindo a porta para a queda da Selic em 2026. Enquanto a manutenção da taxa no atual patamar é a projeção unânime, as apostas para o início do ciclo de cortes de juros estão divididas entre janeiro e março do próximo ano.

No mercado de câmbio, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, melhor para o real, e o inverso também vale.

Quando a taxa por lá cai —como ocorreu nas últimas reuniões do Fed— e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de “carry trade”.
Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro. O aporte aqui implica na compra de reais, o que desvaloriza o dólar.

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