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Economia

Dólar abre em leve alta nesta segunda-feira

Às 9h08 o dólar subia 0,10%, cotada a R$ 5,5365

Redação Jornal de Brasília

22/12/2025 10h54

Foto: AFP

Foto: AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em leve alta nesta segunda-feira (22) à espera de notícias que possam direcionar a moeda norte-americana, que no exterior exibe baixas ante a maior parte das demais divisas.

Às 9h08 o dólar subia 0,10%, cotada a R$ 5,5365. Na sexta-feira (19), a moeda norte-americana avançou 0,1%, a R$ 5,529, e a Bolsa subiu 0,34%, a 158.473 pontos.

Os investidores acompanharam a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A PF está aprofundando investigações sobre desvios de recursos públicos de cotas parlamentares. Em um endereço ligado a Sóstenes, que é líder do PL na Câmara dos Deputados, foram apreendidos cerca de R$ 430 mil em espécie.

Sóstenes foi um dos principais articuladores do projeto de lei da Dosimetria, que altera as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado, incluindo Bolsonaro. O texto foi aprovado no Senado e agora segue para sanção do presidente Lula (PT), que já afirmou que irá vetá-lo.

“O Congresso tem o direito de fazer as coisas. Eu tenho o meu direito de vetar. Depois, eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não. É assim que é o jogo”, afirmou, defendendo que “as pessoas que cometeram o crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos”.

A operação ocorre em um momento em que o mercado já está sensível à corrida eleitoral do ano que vem. Para os analistas, a investigação pode enfraquecer a tese de anistia e redução de penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro -até então vista como uma das ferramentas de barganha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para desistir da candidatura à Presidência em 2026.

O nome do filho mais velho do ex-presidente tem dividido a oposição ao governo Lula para o pleito. Em pesquisa divulgada pela Bloomberg/AtlasIntel, o senador soma 21,3% de intenções de voto, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome favorito da Faria Lima para a disputa, tem 15%. Lula lidera com 47,9%.

Sem novas sinalizações de que Flávio poderá desistir da corrida, o mercado tem desmontado as posições do apelidado “Tarcísio Trade”, isto é, operações que previam que uma eventual vitória do governador de São Paulo destravaria uma valorização mais acentuada dos ativos brasileiros, como Bolsa e real.

Tarcísio teria uma agenda mais avessa a aumentar os gastos públicos, o que daria mais previsibilidade sobre os rumos da economia. O aumento das despesas poderia, por exemplo, forçar uma manutenção da taxa Selic em patamares elevados, já que teria o potencial de afetar a dinâmica da inflação.

Operadores têm repetido que, mais do que o nome do candidato eleito, o que importa é como será a condução fiscal do governo de 2027. “O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade”, afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

“Então, quando ocorre um movimento que divide a oposição, e enfraquece o lado político que pode trazer a austeridade fiscal, o mercado acaba precificando muito mal.”

No mercado de câmbio, os agentes ainda repercutiram dois leilões de linha no valor total de US$ 2 bilhões, integralmente vendidos pelo BC. Nessa modalidade de leilão, há o compromisso de recompra por parte da autoridade monetária. A venda será liquidada dia 23 de dezembro.

Newsletter Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. *** As operações buscam atender à maior demanda por moeda neste fim de ano, quando empresas tradicionalmente enviam recursos ao exterior para pagamento de dividendos. Este ano, especificamente, os envios estão sendo potencializados por multinacionais que buscam se antecipar antes da cobrança de Imposto de Renda sobre remessas ao exterior.

A alíquota de 10% terá início em janeiro, e também terá início a taxação de 10% sobre valores recebidos acima de R$ 50 mil por mês em dividendos.

Já no exterior, o dólar sustenta ganhos ante a maior parte das demais divisas, com destaque para o avanço firme ante o iene após o Banco do Japão elevar sua taxa de juros, mas fornecer poucas pistas sobre novos aumentos no futuro.

O índice DXY, que compara o dólar a seis outras moedas fortes, avançou 0,27%, a 98,72 pontos.

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