Menu
Economia

Dólar abre em leve alta com investidores avaliando novas tarifas de Trump

O anúncio foi uma resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as taxas impostas por Trump a vários países, que chegavam a mais de 100%

Redação Jornal de Brasília

23/02/2026 11h24

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em leve alta nesta segunda-feira (23) com os investidores ainda avaliando a promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa global de 15% a todos os produtos importados pelo país.

O anúncio foi uma resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as taxas impostas por Trump a vários países, que chegavam a mais de 100%.

Às 9h08, a moeda norte-americana subia 0,16%, cotada a R$ 5,1848. Na sexta-feira (21), o dólar fechou em queda de 0,99%, cotado a R$ 5,175, e renovou a mínima em quase dois anos.

A moeda norte-americana se desvalorizou ao longo de todo o pregão, em meio à divulgação de dados mistos da economia americana —com o PIB crescendo menos do que o esperado, e a inflação mais. No início da tarde, a divisa intensificou a queda com a decisão do tribunal, movimento que favoreceu ativos de mercados emergentes, como o real e o Ibovespa.

A última vez em que o dólar esteve nesse patamar foi em 28 de maio de 2024, há quase 21 meses, quando encerrou o dia a R$ 5,160. Na mínima desta sexta, a moeda chegou a R$ 5,173.

Também impulsionada pela decisão, a Bolsa de Valores brasileira encerrou o dia pela primeira vez acima dos 190 mil pontos, com alta de 1,06%, a 190.534 pontos. No pico do pregão, o Ibovespa chegou a 190.726 pontos, um novo marco intradiário.

Na semana, o dólar acumulou queda de 1,03%, e a Bolsa, alta de 2,18%. No ano, a moeda recua 5,69%, enquanto o Ibovespa avança 18,25%.

No começo da tarde desta sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump contra diversos países são ilegais. A decisão foi tomada por seis votos a três.

O julgamento tem como pano de fundo um debate jurídico iniciado em novembro do ano passado, que envolve a legalidade das tarifas.

Trump se apoiou na IEEPA —Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional— para aplicar as sobretaxas a todos os países sem aprovação do Congresso. Os juízes da Suprema Corte discordaram que a lei de 1977, criada para situações de emergência, de fato concede ao presidente esse poder.

A derrota representa um duro golpe econômico e político a uma das iniciativas mais emblemáticas do segundo mandato de Trump. Além de perder capital político, os EUA podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões (R$ 912 bilhões) em arrecadação tarifária, segundo cálculo de economistas do Penn-Wharton Budget Model a pedido da Reuters.

No exterior, a decisão impactou Bolsas americanas e europeias. Nos EUA, o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 ganhou 0,60% e o Nasdaq Composite avançou 0,90% ao longo do dia. Na Europa, o destaque foi o índice STOXX 600, que fechou em alta de 0,84%.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os mercados reagiram de forma positiva, diante da menor incerteza jurídica e da redução de custos para as companhias listadas. “As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento [de empresas] —e removê-las pode melhorar a produtividade.”

Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que, para países emergentes, a decisão reduz o risco de retaliações em cadeia. “Favorece fluxos para moedas locais em um cenário de dólar mais fraco e para ativos de risco, como o Ibovespa, ao melhorar o apetite global por commodities”.

A divulgação de dados econômicos dos EUA também esteve no foco do pregão. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no último trimestre, informou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira (20). Economistas consultados pela Reuters previam uma expansão de 3,0%.

Em contrapartida, o núcleo da inflação nos Estados Unidos acelerou mais do que o esperado em dezembro. O índice PCE, métrica de inflação favorita do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), subiu 0,4% em dezembro, ante uma previsão de alta de 0,3%.

Nos 12 meses até dezembro, o núcleo do índice avançou 3,0%, de 2,8% em novembro.

“O PIB americano cresceu abaixo do esperado, sinalizando um enfraquecimento da economia, em parte influenciado pelas paralisações do governo. Esse cenário contribuiu para o enfraquecimento do dólar e para a melhora no fluxo de capital para países emergentes”, diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado