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Economia

Dólar abre em alta com incertezas envolvendo conflito no Oriente

Investidores no Brasil também digerem a divulgação da ata do último encontro de política monetária do Banco Central, em busca de pistas sobre o que a instituição fará com a taxa básica Selic nos próximos meses.

Redação Jornal de Brasília

24/03/2026 11h50

Foto: Justin Sullivan/AFP

Foto: Justin Sullivan/AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

O andamento da guerra no Oriente Médio, com o Irã lançando mísseis contra Israel e negando estar em negociações com os EUA, mantinha o dólar em alta ante as divisas de países emergentes, incluindo o real, nesta manhã de terça-feira (24).


Investidores no Brasil também digerem a divulgação da ata do último encontro de política monetária do Banco Central, em busca de pistas sobre o que a instituição fará com a taxa básica Selic nos próximos meses.


Às 10h15, o dólar à vista subia 0,45%, aos R$ 5,265 na venda. Na segunda, a moeda caiu 1,31%, cotada a R$ 5,241, e a Bolsa avançou 3,24%, a 181.931 pontos.


O dia foi embalado pelo recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que adiou por cinco dias ataques contra usinas de energia do Irã e mencionou a possibilidade de negociações com o país.
Investidores reagiram com entusiasmo à sinalização de Trump. O presidente também recuou de ameaças de destruir usinas de energia iranianas, afirmando que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares por cinco dias.


Em uma publicação no Truth Social, ele também disse que EUA e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” nos últimos dois dias sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.


O americano afirmou a jornalistas que está conversando com uma autoridade iraniana que não seria o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e instou o país a parar de enriquecer urânio.


Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do Irã disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, confirmou que há “iniciativas para reduzir a tensão”, mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.


Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a recente declaração de Trump trouxe um alívio aos mercados por sinalizar uma desescalada no conflito. “Isso ajudou a contar a disparada do petróleo, que vinha pressionando Bolsas. Há diminuição no sentimento de risco e nos temores de interrupção na oferta de energia”.


Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou os mercados acionários, com uma busca por ativos de segurança. O comportamento conhecido como “fuga para qualidade” fez com que ativos como dólar e renda fixa se valorizassem.


O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, registra alta de 1,50% desde que a guerra no Oriente Médio começou. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, por outro lado, registra recuo de 3,6%.


“A sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada de uma pausa temporária nos ataques, levou o mercado a reprecificar um cenário de menor probabilidade de escalada do conflito. Como resultado, o câmbio devolveu parte da alta recente, em um movimento alinhado ao comportamento global da divisa americana”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.


Além disso, há um temor de que a inflação suba mais caso o conflito dure por mais tempo, e as cotações do petróleo permaneçam em alta.


Os preços da commodity dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity.


O anúncio da trégua na segunda, por outro lado, levou o preço do petróleo a despencar mais de 13% e chegar a US$ 91,89 (R$ 488,12), às 8h (horário de Brasília).


“O mercado deu uma boa recuperada, já que passou a apostar em vias diplomáticas para solucionar o conflito. Principalmente por causa do escoamento de petróleo, que costuma deixar os mercados muito tensos, já que pressiona bastante a inflação. Nas últimas semanas, o mercado vinha precificando juros mais altos justamente por essa pressão inflacionária”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

No Brasil, a agenda do dia foi esvaziada de indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 2 de abril. Do total, US$ 1,8 bilhão foi vendido.


Os leilões são intervenções do BC no câmbio. Na prática, eles servem para aumentar a quantidade de dólares disponíveis para os investidores, seguindo a lei da oferta e demanda. Ou seja, quanto mais moeda puder ser comprada, menor vai ser a cotação dela.


Também houve destaque para a suspensão de operações no Tesouro Direto na abertura do mercado para conter a forte volatilidade de títulos. A plataforma ficou fora do ar até às 11h15 desta segunda.

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