Menu
Economia

Dólar abre em alta com empate entre Flávio e Lula e aprovação da escala 6×1 no radar

O resultado configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos

Redação Jornal de Brasília

15/10/2026 10h39

Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Foto: Vanderlei Almeida/AFP

JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (15). Às 9h49, a moeda subia 0,45%, cotada a R$ 5,053. Os investidores repercutem a nova pesquisa Quaest, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto para a Presidência, ante 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O resultado configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Votos em branco ou nulo somaram 9%, enquanto 1% dos entrevistados se declarou indeciso.

A alta do dólar reflete a volatilidade associada ao cenário eleitoral e ocorre na contramão do movimento no exterior. Às 9h50, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de divisas fortes, recuava 0,47%.

Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, a expectativa é de um pregão mais pressionado na abertura, tanto pela pesquisa eleitoral quanto pela aprovação, no Senado, da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Segundo o especialista, a pesquisa, divulgada na véspera, indica que Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu abrir vantagem sobre Lula. Já a aprovação da proposta, de iniciativa do governo, pode pesar sobre os ativos brasileiros diante das preocupações com o aumento de custos para as empresas.

No cenário doméstico, o IBGE informou ainda que as vendas no varejo cresceram 0,1% em agosto ante julho e 0,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Os resultados ficaram abaixo das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 0,7% na comparação mensal e de 1,45% em um ano.

No exterior, o destaque da agenda econômica é a divulgação do PPI (índice de preços ao produtor) de setembro nos Estados Unidos. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a acompanhar as pressões inflacionárias na economia americana, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central do país).

Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,14%, a R$ 5,030, enquanto a Bolsa de Valores brasileira recuou 0,18%, aos 206.505 pontos.Durante o pregão, investidores estiveram cautelosos diante das incertezas eleitorais.

No exterior, os investidores acompanharam os dados de inflação dos Estados Unidos, que alimentaram projeções de altas nos juros do país e fortaleceram a divisa americana.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro, após avançar 0,4% em agosto, segundo o Departamento do Trabalho americano. Em 12 meses, a inflação acumulada acelerou para 3,7%, ante 3,4% até agosto.

O resultado mensal ficou em linha com a expectativa de economistas consultados pela Reuters, mas a taxa acumulada em 12 meses superou a projeção de 3,6%. A alta foi impulsionada principalmente pela gasolina, cujos preços dispararam 7,1% em setembro.

O núcleo da inflação, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, subiu 0,3% em setembro, repetindo a variação de agosto. Em 12 meses, o indicador avançou 2,6%, acima dos 2,4% registrados até agosto. A expectativas do mercado eram de avanços de 0,2% e 2,5%, respectivamente.

“O núcleo acima do esperado e a aceleração em 12 meses jogam lenha na fogueira da preocupação com a inflação, que segue distante da meta de 2%. O payroll fraco de setembro, que veio abaixo da expectativa e trouxe revisões para baixo nos meses anteriores, também é um alerta e merece atenção”, diz Vitor Kayo, economista sênior na Nomad.

Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o resultado mostrou que a inflação nos Estados Unidos está mais persistente do que o esperado e não apresenta sinais de estabilização.

“O resultado pode não ser suficiente para provocar uma alta de juros na decisão de outubro, mas certamente abre o debate e deixa mais claro o balanço de riscos enfrentado pelo Fed, diante de um desafio inflacionário mais complexo”, diz.

No cenário doméstico, os investidores também mantiveram a cautela em função da disputa eleitoral.
“Nos últimos dias, pesquisas mostraram aumento das intenções de voto em Lula e redução da diferença em relação a Flávio Bolsonaro. Outras, mais próximas do resultado efetivo do primeiro turno, ainda apontam vantagem para Flávio”, afirma, Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos.

Após o primeiro turno, o resultado eleitoral foi recebido com otimismo por parte do mercado financeiro. No pregão seguinte à votação, a Bolsa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar recuou para abaixo de R$ 5. Os juros futuros também caíram, com recuo superior a 100 pontos-base ao longo da semana.

A reação refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, segundo analistas. Essa perspectiva pode reduzir a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumentar o apetite dos investidores por ações e títulos do país.

Com uma trajetória mais controlada da dívida pública, o governo poderia pagar juros menores para se financiar, o que tenderia a aliviar as taxas de mercado. Juros mais baixos, por sua vez, reduzem o custo do crédito para empresas e podem favorecer os lucros e a valorização das ações.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.

O pregão também repercutiu a possível aprovação do fim da escala 6×1. A mudança pode elevar os custos de empresas de determinados setores, embora possíveis ganhos de produtividade possam compensar parte desse efeito.

A PEC reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, prevê duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos, e proíbe a redução da remuneração.

“Os setores serão impactados de formas completamente diferentes. O efeito vai depender da capacidade de reorganizar as escalas e melhorar a produtividade. Alguns setores, como varejo e supermercados, tendem a enfrentar desafios maiores, porque podem precisar contratar mais funcionários ou absorver custos adicionais. Isso pode reduzir as margens de lucro”, diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado