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Economia

Dólar abre em alta após discurso de Trump sobre guerra no Irã

O pronunciamento reverte o otimismo dos últimos pregões, de que a guerra no Oriente Médio poderia estar próxima do fim.

Redação Jornal de Brasília

02/04/2026 10h30

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (2) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em discurso na noite de quarta-feira (1º) que pretende continuar os ataques contra o Irã.


O pronunciamento reverte o otimismo dos últimos pregões, de que a guerra no Oriente Médio poderia estar próxima do fim.


Às 9h33, a moeda norte-americana avançava 0,39%, cotada a R$ 5,176. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, subia 0,55%, a 100,12 pontos.
Em pronunciamento à nação na quarta, Trump voltou a afirmar que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão “quase completos”, mas evitou esclarecê-los ou apresentar uma previsão detalhada para o fim do conflito.


No discurso, Trump disse que a guerra continua até que todos os objetivos sejam “totalmente terminados”. “Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, aonde eles pertencem”, disse Trump, afirmando novamente que isso deve acontecer “rapidamente” e que o Irã está “completamente derrotado”.


O republicano também minimizou o impacto do fechamento do estreito de Hormuz, onde um quinto do petróleo mundial circula, para o mercado da commodity. “Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles”, disse.


Na quarta-feira (1º), o dólar fechou em queda de 0,43%, a R$ 5,157, enquanto a Bolsa encerrou o dia em alta de 0,26%, aos 187.952 pontos.


Durante o dia, investidores repercutiram falas do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o conflito no Oriente Médio.


Trump afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra. Segundo o republicano, a proposta será analisada apenas quando o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito, for reaberto por Teerã.


“Vamos considerar isso [cessar-fogo] quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos reduzindo o Irã a nada ou, como dizem, de volta à idade da pedra”, afirmou.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que a declaração do americano é falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.


A Casa Branca informou posteriormente que Trump fará um pronunciamento à nação “para fornecer uma importante atualização sobre o Irã” nesta quarta (1º). O discurso está marcado para às 22h (horário de Brasília).


A declaração de Trump foi mais contundente do que a feita na noite de terça-feira, quando o republicano afirmou que os EUA poderiam encerrar os ataques contra o Irã em duas ou três semanas, mesmo sem que um acordo com Teerã fosse firmado.


“Vamos sair muito em breve”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, na ocasião, em referência à guerra.


A informação de que os EUA topariam deixar o conflito sem um acordo já havia sido noticiada pelo Wall Street Journal, também na terça-feira.


Segundo a publicação, que ouviu assessores próximos ao presidente, a decisão ocorreria apesar de Teerã manter o controle do estreito de Hormuz, diante de temores de Trump de prolongar o conflito.


Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o bom humor com a geopolítica foi decisivo para o pregão. “A menor tensão no Irã aliviou a moeda americana e ajudou o desempenho do Ibovespa”, disse.


O conflito também vem causando turbulências no mercado de petróleo, fortemente afetado por interrupções no estreito de Hormuz. Na máxima desde o início da guerra, a commodity chegou a US$ 119 por barril, após ataques a instalações energéticas no Oriente Médio.


A expectativa de um cessar-fogo e de normalização do fluxo no estreito animou os investidores.


O contrato de junho do Brent, referência global, recuava 2,89%, a US$ 100,97, por volta das 16h54. Já o contrato de maio do WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, caía 1,76%, a US$ 99,60, no mesmo horário. A queda do petróleo impactou a Bolsa, com as ações preferenciais da Petrobras recuando 2,67% no dia.


Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a expectativa de fim do conflito marca uma inversão no mercado. “A escalada das tensões vinha fortalecendo a moeda americana, diante da busca por proteção.”


A guerra no Oriente Médio tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema foi citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global.


Na segunda, o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, abordou o tema. Ele afirmou que a manutenção da taxa em patamares elevados criou uma “gordura” que permitiu que o colegiado iniciasse o ciclo de afrouxamento na reunião deste mês mesmo em meio à disrupção econômica causada pela guerra no Irã.


Esse mesmo fator, disse ele, possibilita que o Copom aguarde os próximos desenrolares do conflito para decidir sobre o rumo dos juros.


“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, afirmou ele, também reafirmando que é “normal” que a autarquia esteja mais inclinada para o lado conservador.


O cenário também elevou a demanda por ativos de segurança, como o dólar e a renda fixa, e contribuiu para perdas nas Bolsas ao longo de março.


Isso porque, em momentos de incerteza, costuma ocorrer o movimento conhecido como “fuga para a qualidade”. Nesse contexto, os investidores priorizam emissores considerados mais seguros e ativos mais líquidos, como a moeda norte-americana.


Há preocupação de que, caso o petróleo siga em alta em razão do conflito, a inflação global seja pressionada e, consequentemente, bancos centrais sejam levados a manter as taxas de juros elevadas — o que favorece ativos de renda fixa.


No Brasil, o Ibovespa encerrou março com queda de 0,70%, enquanto o dólar acumulou alta de 0,90% no período.

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