SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar abriu o pregão desta segunda-feira (5) em alta, com analistas repercutindo a invasão dos EUA à Venezuela, que resultou na prisão do presidente do país, Nicolás Maduro, durante a madrugada de sábado (3). Às 9h06, o dólar subia 0,13%, aos R$ 5,431.
A prisão também impactou o mercado de commodities. No domingo à noite (4), os preços do petróleo caíram até 1,2% na abertura das bolsas asiáticas.
Na maior intervenção contra a América Latina em décadas, os Estados Unidos atacaram a Venezuela no sábado (3), bombardeando a capital, Caracas, e capturando o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Maduro é acusado pela Justiça dos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo. O ex-presidente venezuelano comparecerá perante o Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan ainda nesta segunda-feira, onde será notificado formalmente pelas acusações contra ele.
Após a prisão, em comunicado no mesmo dia, Donald Trump afirmou que EUA governarão o país até transição, e que petróleo será explorado por americanos.
A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global.
Para o ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo) David Zylbersztajn, há expectativa de que a prisão gere aumento da oferta da commodity. Até porque, conforme afirmou Trump no sábado, o petróleo “voltará a fluir” com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura da Venezuela.
No domingo, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que país usará a influência sobre o petróleo para forçar mais mudanças na Venezuela. A infraestrutura petrolífera do país não foi afetada pela série de ataques americanos em Caracas e outros estados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A exportação de petróleo da Venezuela representa cerca de 90% das exportações do país, tendo a China como a grande compradora.
Na última sexta (2), o dólar fechou o primeiro pregão do ano em queda firme de 1,24%, a R$ 5,4198, em meio à baixa liquidez nos mercados por conta das festas de fim de ano.
Nesta semana, investidores também aguardam a divulgação dos dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro e do mercado de trabalho dos Estados Unidos, ambos na sexta-feira (9).
As informações são utilizadas na antecipação da trajetória dos juros por parte do mercado financeiro.
Além disso, agentes aguardam a definição sobre quem será o sucessor de Jerome Powell como presidente do Fed (Banco Central dos EUA).
Em 2025, o dólar acumulou queda de 11,19% em 2025, o maior recuo desde 2016, quando a moeda americana perdeu 17,8%.
Já o Ibovespa fechou o ano em alta de 33,7%, também o melhor desempenho desde 2016, quando avançou 39% num ano marcado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em dólares, a variação também foi a maior em nove anos.
Segundo analistas, o forte fluxo de recursos estrangeiros para o mercados emergentes, incluindo o Brasil, deu impulso à valorização da moeda brasileira e ao Ibovespa.
Esse movimento de dinheiro de fora foi impulsionado pelo fato de o Fed ter reduzido a taxa de juros dos EUA no ano passado, da banda de 4,25% a 4,5% ao ano para 3,5% a 3,75% ao ano.