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Economia

Diretor do BRB que alertou sobre liquidez do Master renuncia

Em comunicado sobre a saída, Melo apenas afirmou que vai voltar a atuar integralmente na advocacia tributária

Redação Jornal de Brasília

10/02/2026 11h18

jacques veloso de melo

Foto: Divulgação

FÁBIO PUPO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O BRB (Banco de Brasília) comunicou ao mercado a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor jurídico da instituição. A saída do executivo, que terá efeitos a partir do próximo sábado (14), ocorre em meio às investigações sobre a tentativa frustrada de compra de uma fatia do Banco Master pela estatal do Distrito Federal.

Em comunicado sobre a saída, Melo apenas afirmou que vai voltar a atuar integralmente na advocacia tributária. “Solicitei minha renúncia para retomar integralmente minha dedicação à advocacia tributária, considerando, principalmente este período de implantação de mudanças significativas trazidas pela reforma, o que demanda estudo e dedicação aos nossos clientes que deverão se adaptar a nova realidade do mercado nacional.”

Melo assinou um parecer jurídico, revelado pela Folha de S. Paulo, que recomendava ao BRB atenção aos índices de liquidez do Master, em análise feita às vésperas de o conselho de administração da estatal aprovar o negócio com o banco de Daniel Vorcaro.

O parecer foi assinado quatro dias antes de o conselho de administração do BRB dar aval à compra de 58% do capital total do Master. Ele ressalta que os indicadores de liquidez eram cruciais para a segurança do negócio.

“Há que se ressaltar que a observância do índice de liquidez e do índice de Basileia é crucial nas contratações efetuadas pelas instituições financeiras, pois ambos são indicadores essenciais para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro”, afirmou o diretor no parecer.

O documento jurídico concluiu que não havia ilegalidades na proposta de aquisição, desde que fossem “observadas as orientações” contidas no texto. Apesar da ressalva, o conselho de administração do BRB aprovou a operação por unanimidade em 28 de março de 2025.

A cautela sugerida pelo diretor jurídico contrastou com o desfecho da instituição privada. O negócio foi vetado pelo Banco Central em setembro de 2025 e, dois meses depois, o BC decretou a liquidação do Master.

Na data da quebra, o banco de Vorcaro possuía apenas R$ 4 milhões em caixa e R$ 22,9 milhões em depósitos no BC, valor que representava menos de 1% do exigido pela regulação. Atualmente, a Polícia Federal investiga o repasse de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito fraudadas do Master para o BRB.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, chegou a afirmar em depoimento que Vorcaro manifestou preocupação com a liquidez durante as negociações, mas defendeu que a operação foi respaldada por análises técnicas de 11 áreas internas do banco.

Participaram da reunião do conselho que aprovou o negócio, segundo ata publicada no site do banco, o então presidente do colegiado, Marcelo Talarico, e os conselheiros Eduardo Aroeira Almeida, Hugo Ferreira Braga Tadeu, Kátia do Carmo Peixoto de Queiroz, Luis Fernando de Lara Resende, Paulo Cesar Pagi Chaves, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa e Ricardo José Duarte Rodrigues.

Talarico e Resende deixaram o conselho no mês passado.

A saída de Melo foi anunciada nesta segunda-feira (9) à noite. Na mesma data, o BRB também comunicou a posse da nova diretora executiva de Controles e Riscos, Ana Paula Teixeira. De acordo com o banco, ela possui trajetória no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de gestão de riscos, controles internos, segurança institucional e cyber segurança do Banco do Brasil, além de ter exercido outras posições de liderança.

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