“É necessário que os governos mostrem a mesma determinação para promover a criação de empregos que tiveram para salvar os bancos”, sustentou Somavía na XVI Conferência Interamericana de Ministros de Trabalho que acontece em Buenos Aires.
O diretor da OIT, que hoje conclui uma visita de três dias à Argentina para participar do encontro, insistiu que os países da região “atuaram rapidamente para enfrentar a crise”, mas alertou que “não é possível ter uma recuperação sem empregos”.
“Não podemos esquecer que, uma vez superada esta crise, há o risco de voltarmos ao ponto onde estávamos antes. É importante lembrar que já havia outra crise, de pobreza, de déficit de trabalho decente”, enfatizou.
A OIT estimou em um recente relatório que o desemprego poderia subir de 7,5 % em 2008 para 8,5 % em 2009, o que representaria um aumento de 2,5 milhões de pessoas desempregadas.
A presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, assegurou que a saída para a crise global não depende da “flexibilidade laboral” mas do fortalecimento democrático e da promoção de um “novo sistema de ideias”.
“É uma grande contradição pretender melhorar o sistema econômico com a redução das condições trabalhistas e salariais dos trabalhadores”, afirmou em seu discurso durante a conferência, que será encerrada nesta quinta-feira.
Depois de se reunir com a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís, Cristina insistiu que “os dois grandes sucessos do último (encontro do) G20 foram o debate sobre a flexibilização e a inclusão da OIT” nos debates desse grupo.