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Economia

Desigualdade no crédito para agricultura familiar e empresarial se justifica por área plantada

Arquivo Geral

05/07/2007 0h00

O ministro da Agricultura, doctor Reinhold Stephanes, disse hoje que a desigualdade no volume de recursos destinados a empréstimos para a agricultura empresarial e a familiar no país se justifica pela dimensão da área plantada por cada setor e não constitui privilégio a nenhuma das duas categorias.

“É a questão do volume da área que está sendo plantada pelo pequeno agricultor e o volume da área que está sendo plantada pelo grande agricultor. Não há nenhuma intenção de privilegiar um ou outro. Todos eles são extremamente importantes: o pequeno, o médio e o grande”, disse ele à Agência Brasil.

O governo anunciou na semana passada seus planos de empréstimo para a safra 2007/2008. Para os médios e grandes agricultores, os recursos chegam a R$ 58 bilhões. Já para a agricultura familiar, há cerca de cinco vezes menos dinheiro disponível: R$ 12 bilhões.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar responde por mais de 80% do número de propriedades rurais brasileiras, mas por apenas 30% do total da área cultivada. Ao mesmo tempo, é responsável por quase 40% do valor total da produção agropecuária do país e gera cerca de 80% dos 17 milhões de postos de trabalho que existem hoje no campo.

Se se considerasse unicamente o critério da área, ainda assim, seria necessário que a agricultura familiar tivesse cerca de R$ 25 bilhões, o dobro do crédito de que atualmente dispõe, para que a distribuição entre os dois setores fosse proporcional.

Stephanes disse que ainda não está satisfeito com as taxas de juros aplicadas aos agricultores em geral, apesar de considerar um “avanço” a queda dos juros anunciada na semana passada, para a próxima safra.

“Claro que, se perguntarem ao ministro da Agricultura se está satisfeito com esses juros, eu diria que não. Se perguntar ao agricultor, ele também não estará e até por uma razão simples. Porque, no mundo inteiro, os juros são mais baixos e praticamente o mundo inteiro subsidia a sua agricultura, Europa, Estados Unidos, e o Brasil ainda tem uma agricultura bastante competitiva, praticamente sem subsídio”, afirmou Stephanes.

No caso dos grandes agricultores, os juros caíram, em média, de 8,75% para 6,75%. Para agricultores familiares, de 1% a 7,25% para 0,5% e 5,5%.  As novas taxas foram anunciadas na semana passada, quando o governo anunciou, ao todo, R$ 70 bilhões em crédito para a agricultura.

Para o ministro da Agricultura, o conceito de agronegócio engloba tanto o pequeno como o médio e o grande produtor. “Para o chamado agronegócio, os três têm sua importância. Devem ser tratados não de forma igual, mas cada um de acordo com suas necessidades maiores de produção.”

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