Economia

Déficit do setor externo deixou de ser ponto de maior preocupação, diz BC

Por Agência Estado 22/11/2016 3h32

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou nesta terça-feira, 22, que déficit em conta corrente de US$ 3,339 bilhões em outubro veio acima do saldo negativo de US$ 2,8 bilhões esperado pela autoridade monetária porque o superávit da balança comercial veio um pouco menor do os dados apontavam. Mas, segundo ele, o resultado mostra a continuidade da tendência de resultados menores que os de igual período do ano passado.

“O déficit em transações correntes em 12 meses continua recuando. Isso ilustra bem a proporção do ajuste nas contas externas. O déficit das contas externas deixou de ser um ponto de preocupação macroeconômica”, comentou.

Ainda assim, adiantou Maciel, o BC irá rever em dezembro a projeção de déficit em transações correntes de US$ 18 bilhões em 2016. “Esperamos um déficit de US$ 1,7 bilhão em novembro, e no acumulado do ano já está em US$ 16,957 bilhões. Portanto, o resultado do ano será um pouco maior que US$ 18 bilhões”, completou.

Fatores

Segundo o diretor do BC, o ajuste nas transações correntes do País tem ocorrido principalmente na balança comercial. “Cerca de dois terços do ajuste decorreu do resultado comercial. Mas a conta de serviços também colaborou para isso”, comentou.

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Ele destacou que o déficit na conta de viagens vinha recuando até julho na comparação com ano passado, mas voltou a reagir a partir de agosto. “Os últimos dados confirmaram isso, mostrando crescimento das despesas de brasileiros no exterior”, afirmou. No mês passado, o déficit nessa conta foi de US$ 988 milhões com despesas de US$ 1,421 bilhão e receitas US$ 434 milhões.

Segundo Maciel, o câmbio tem impacto no resultado, mas o retorno da confiança também influenciou na decisão dos brasileiros em viajarem para o exterior. Tanto que autoridade monetária irá rever sua projeção para a conta de viagens em 2016.

“A estimativa era de déficit de US$ 7,5 bilhões, mas isso deve ser revisto para cima”, afirmou. Até o outubro, o saldo negativo acumulado é de US$ 6,801 bilhões. Segundo Maciel, em novembro até dia 18, despesas com viagens somam US$ 515 milhões.

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Remessas

O chefe do departamento econômico do Banco Central avaliou que a redução das remessas de lucros e dividendos em 2016 está relacionada a quadro econômico do País. Em outubro, as remessas somaram US$ 1,559 bilhão. Nos dez primeiros meses do ano, as remessas somam US$ 13,727 bilhões, abaixo dos R$ 15,949 bilhões do mesmo período de 2015.

“No acumulado do ano, as remessas são 14% inferiores ao mesmo período do ano passado, que já tinha um volume historicamente baixo”, afirmou. “Em novembro até o dia 18, as remessas estão em US$ 692 milhões, o que mostra a continuidade dessa tendência”, completou.

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Investimento Direto

Após os Investimentos Diretos no País (IDP) somarem US$ 8,400 bilhões em outubro, o chefe do departamento econômico do Banco Central informou que a autoridade monetária espera uma entrada de US$ 6,5 bilhões em IDP em novembro. Até o dia 18, a entrada de investimentos nessa rubrica era de US$ 4,1 bilhões.

“Isso reflete as oportunidades de investimento que o País oferece. Ainda não temos projeções para o IDP em 2017, mas a nossa expectativa é de que a entrada de investimentos permaneça em patamar elevado, como ocorreu nos últimos anos”, avaliou Maciel.

Ações e renda fixa

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Ele adiantou que, até o dia 18 de novembro, há uma saída na conta de ações de US$ 315 milhões, e uma saída de US$ 2,410 bilhões na conta de renda fixa.

O investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou positivo em US$ 1,603 bilhão em outubro, enquanto o saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou negativo em US$ 2,620 bilhões no mês passado.

Segundo Maciel, a taxa de rolagem está de 39% até o dia 18 de novembro, ante a taxa 44% registrada em outubro.

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Repatriação

O chefe do departamento econômico do Banco Central disse que apenas 11.700 contribuintes dos cerca de 25 mil que aderiram à chamada Lei da Repatriação de ativos no exterior já realizaram a retificação das declarações de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE).

O prazo para a retificação vai até 31 de dezembro e a declaração é obrigatória para todos os contribuintes que tenham mais de US$ 100 mil no exterior. “O número de retificações cresce a cada dia”, disse Maciel.

Fonte: Estadao Conteudo






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