As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 8,360 bilhões em transações correntes em janeiro de 2026, menor que os US$ 9,809 bilhões de janeiro de 2025. O Banco Central informou o resultado nesta terça-feira (24).
A melhora na comparação interanual resulta de um aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit comercial, que fechou em US$ 3,516 bilhões no mês. De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, esse avanço se deve à redução generalizada de importações em todos os setores, refletindo a desaceleração da atividade econômica no país.
As exportações de bens totalizaram US$ 25,282 bilhões, com queda de 1,2% em relação a janeiro de 2025, enquanto as importações atingiram US$ 21,766 bilhões, com redução de 10%. O déficit na conta de serviços foi de US$ 3,972 bilhões, queda de 12,8% ante os US$ 4,553 bilhões do ano anterior. No entanto, o déficit em viagens internacionais aumentou 48,4%, para US$ 1,453 bilhão, devido a menor receita de gastos de estrangeiros no Brasil e maior despesa de brasileiros no exterior.
Na renda primária, o déficit subiu 18,7%, para US$ 8,312 bilhões, abrangendo pagamentos de lucros, dividendos e juros. Já a renda secundária registrou superávit de US$ 408 milhões, contra US$ 349 milhões em janeiro de 2025.
Nos 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes acumulado foi de US$ 67,551 bilhões, equivalente a 2,92% do PIB, menor que os US$ 72,421 bilhões (3,35% do PIB) do período anterior. Segundo Rocha, o cenário é robusto, com tendência de redução no déficit desde setembro de 2025, financiado principalmente por investimentos de longo prazo.
Os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 8,168 bilhões em janeiro, ante US$ 6,708 bilhões no mesmo mês de 2025, acumulando US$ 79,137 bilhões em 12 meses (3,42% do PIB). Investimentos em carteira registraram entrada líquida de US$ 8,867 bilhões no mês, a maior desde julho de 2018, com acumulado de US$ 24,9 bilhões em 12 meses. As reservas internacionais atingiram US$ 364,367 bilhões, aumento de US$ 6,134 bilhões em relação a dezembro.