Em discurso no seminário empresarial “Oportunidades de Negócios e Investimentos em Províncias Argentinas”, Taiana afirmou que a crise oferece aos dois países “a grande oportunidade de apresentar uma proposta unida no marco do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) para uma reforma do sistema financeiro”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe de Estado da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, estarão presentes na próxima cúpula do G20, no dia 2 de abril, em Londres.
A proposta conjunta para a reunião será discutida hoje em São Paulo durante encontro de Lula e Cristina.
Durante encontro que reúne 1,2 mil empresários – 487 deles argentinos – na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a ministra de Produção argentina, Débora Giorgi, afirmou que as economias de ambos os países estão “posicionadas” para fazer frente à crise.
Entretanto, Giorgi lembrou que “não se pode negar que a crise está nos afetando e vai afetar ainda mais. Ela surgiu nos países do hemisfério norte e põe em dúvida os conceitos da estrutura financeira do capitalismo”.
O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro, Miguel Jorge, pediu “franqueza” por parte dos dois países para resolver as diferenças comerciais entre Argentina e Brasil.
“Temos que utilizar a mesma franqueza usada para superar as dificuldades no setor automotivo”, disse Jorge.
No início do mês, a Fiesp levou suas queixas ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. As reivindicações estão ligadas à decisão argentina de impor licenças não automáticas para cerca de 200 produtos importados, grande parte deles brasileiros.
As medidas tiveram grande impacto na indústria brasileira de eletrodomésticos da chamada “linha branca” (produtos para o lar), têxtil e de calçados.
Segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as trocas comerciais entre Brasil e Argentina somaram US$ 30,863 bilhões em 2008.
O Brasil exportou US$ 17,605 bilhões em bens e serviços e importou US$ 13,257 bilhões do país vizinho, obtendo superávit comercial de US$ 4,348 bilhões.