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Economia

Correios adotam escala 12×36 em reestruturação e enfrentam protestos

A estatal implementa jornada flexível em setores específicos para maior eficiência, mas federação de trabalhadores critica a medida e convoca mobilizações nacionais.

Redação Jornal de Brasília

24/03/2026 16h58

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os Correios anunciaram nesta terça-feira (24) a adoção gradual da escala de trabalho 12×36, com 12 horas de jornada por 36 horas de descanso, em atividades específicas da empresa. A medida faz parte do plano de reestruturação da estatal e será implementada conforme as necessidades do serviço, priorizando áreas que demandam funcionamento contínuo e maior agilidade na entrega, impulsionadas pelo crescimento do comércio eletrônico.

De acordo com o informe da empresa, a iniciativa visa modernizar os fluxos operacionais, aumentar a eficiência na prestação de serviços e adequar as equipes ao ritmo real das operações. Os Correios destacam que a jornada flexível representa um diferencial competitivo, ampliando a capacidade operacional e fortalecendo o posicionamento no segmento de encomendas. A estatal enfatiza que a implementação respeitará integralmente a legislação trabalhista e os direitos dos empregados.

No entanto, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telegrafos e Similares (Fentect) criticou a adoção da escala, afirmando que ela precariza as condições de trabalho, adoecendo e sobrecarregando os funcionários. A federação orienta os trabalhadores a não assinarem acordos individuais que fragilizem a organização coletiva e anuncia a construção de uma mobilização nacional para barrar o que considera retrocessos. ‘Não há negociação com retirada de direitos’, declarou a entidade em rede social.

O plano de reestruturação dos Correios busca promover a estabilização da empresa, que enfrenta um diagnóstico de déficit superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro. Em dezembro, a estatal captou R$ 12 bilhões em crédito para financiar as ações de estabilização emergencial. Entre as medidas, estão o fechamento de mil agências, um Plano de Desligamento Voluntário com expectativa de adesão de até 15 mil empregados e a venda de ativos ociosos, como imóveis. Em fevereiro, os Correios realizaram o primeiro leilão de 21 imóveis próprios, localizados em 11 estados brasileiros.

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